Países da zona do euro aprovam reforço de 150 bilhões para o FMI

Valor será repassado ao próprio bloco em empréstimos para combater a crise econômica; Grécia, Irlanda e Portugal não vão contribuir

BRUXELAS , O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h06

Os ministros de Finanças da zona do euro concordaram durante uma teleconferência em emprestar € 150 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) com o objetivo de aumentar os recursos disponíveis para o órgão em seus esforços de combate à crise, afirmou o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, num comunicado.

Os países envolvidos esperam que os recursos sejam repassados, principalmente, ao bloco monetário na forma de empréstimos, segundo o documento. A República Checa, a Polônia e a Suécia, que não são membros da zona do euro, também "demonstraram disposição" para contribuir, afirmou Juncker.

A grande questão, no entanto, diz respeito ao Reino Unido. Os países do bloco monetário esperavam que os britânicos contribuíssem com cerca de € 30 bilhões, o que deixaria o volume de recursos para o FMI perto da marca de € 200 bilhões sugerida pelos líderes da União Europeia durante a reunião de cúpula ocorrida no início deste mês.

O Reino Unido, no entanto, não quer que o dinheiro emprestado ao FMI tenha como destino apenas a zona do euro. "O Reino Unido indicou que vai definir qual será a sua contribuição no início do próximo ano durante as negociações do G-20", acrescentou Juncker no comunicado.

A teleconferência, que durou cerca de três horas, reuniu os ministros de Finanças dos 17 países da zona do euro e dos 10 países que integram a União Europeia, mas não aderiram à moeda única.

Após o evento, o Ministério de Finanças da Grécia anunciou, por meio de nota, que nem o seu país, nem Irlanda e Portugal participarão do multibilionário aporte europeu no FMI.

"Foi esclarecido que os países conduzidos a programas de suporte financeiro da zona do euro e do FMI não estarão entre os que participarão da contribuição ao Fundo", diz a nota.

Após a reunião da União Europeia, os governos da zona do euro anunciaram que os países do bloco aportariam até € 200 bilhões no FMI, sendo € 150 bilhões procedentes da união monetária, em empréstimos bilaterais que seriam usados para resgatar países da zona do euro em dificuldades.

Risco. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse ontem que a crise da dívida europeia impõe um risco a "todas as economias do mundo". A declaração de Lagarde foi feita em encontro com autoridades nigerianas em sua primeira vista à África no comando da instituição.

"O que está ocorrendo em economias avançadas, particularmente na Europa, é obviamente uma preocupação ao redor do mundo no momento", disse Lagarde em reunião com o presidente do Senado da Nigéria, David Mark. Por causa da severidade da crise e da dificuldade que os europeus têm ao lidar com ela, a crise terá um efeito triplo em todas as economias do mundo, acrescentou.

Portugal. Ontem o FMI anunciou que vai liberar € 2,9 bilhões de uma nova parcela do pacote de resgate financeiro a Portugal. A liberação ocorre depois de uma segunda avaliação formal feita pelo Fundo Monetário sobre o andamento dos programas de austeridade fiscal e das reformas econômicas promovidas pelo governo português em troca de um pacote de € 78 bilhões liberado em maio passado pelo Fundo e pela União Europeia. / DOW JONES NEWSWIRES

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