Países dependentes de exportação preocupam mais, diz Meirelles

Substituição de parte da demanda externa pela interna na balança foi discutida em reunião na Suíça

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

07 de janeiro de 2008 | 19h00

Os países mais dependentes de exportações preocupam mais os presidentes de bancos centrais que estiveram reunidos no domingo e nesta segunda-feira, 7, na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Basiléia, Suíça. A revelação foi feita a jornalistas brasileiros pelo presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles. Segundo ele, economias que vivem mais do aquecimento da demanda externa terão de substituí-la por mais demanda interna para se fortalecer diante de uma eventual crise internacional que possa ser provocada pelo desaquecimento da economia dos Estados Unidos.  "Houve preocupação com países muito dependentes de exportações", disse Meirelles, referindo-se às discussões no BIS. Ao ouvir os nomes de China e México como exemplos de nações nessa situação, o brasileiro concordou. Segundo o presidente do BC, o Brasil não desperta a mesma preocupação porque sua demanda interna é maior, proveniente do aumento da renda da população, do nível de emprego e do acesso ao crédito. O País teria sido mais uma vez elogiado por autoridades monetárias por ter sólidos fundamentos macroeconômicos: reservas de US$ 180 bilhões, "uma fonte de segurança para momentos de estresse", segundo definiu Meirelles, política monetária responsável, metas de inflação cumpridas, superávit primário mantido. "No caso do Brasil, não houve discussão de pontos fracos. Não significa que não existam", disse, sem especificar os pontos. Henrique Meirelles usou ainda o mesmo tom de precaução usado pelo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, para definir o atual cenário mundial. Pela manhã, o francês - coordenador do G-10 de presidentes de bancos centrais - disse acreditar que o crescimento da economia mundial seguirá "robusto", mas alertou que a crise do subprime nos Estados Unidos ainda tem poder de contagiar o mundo. Para o brasileiro, "a economia mundial ainda está demonstrando que tem condições de crescer a taxas históricas consideradas adequadas para 2008 - em torno de 4% -, mas existem riscos importantes oriundos da crise nos Estados Unidos". Sobre o Brasil, Meirelles acredita que as perspectivas são favoráveis: "Mesmo que haja um certo desaquecimento da economia norte-americana, o Banco Central prevê crescimento de 4,5% no Brasil em 2008. Estamos confortáveis, mas vigilantes".

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