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Países descartam controlar preços de commodities

Possível proposta francesa de regulação de valores ainda não apareceu nas principais mesas de negociações

Andrei Neto, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

A expectativa de que o governo da França levasse à mesa de negociações do G-20 ministerial de Paris uma proposta de regulação dos preços de matérias-primas não se confirmou. O assunto, que suscitou a rejeição do Brasil e da Argentina, não foi nem sequer abordado nas reuniões preparatórias realizadas até ontem e entre os negociações não se acredita que ele deva de fato ser proposto.

Por outro lado, a regulação do mercado de derivativos de commodities vai ser debatida. A preocupação com uma suposta pressão da França pela administração dos preços das matérias-primas cresceu nas últimas semanas, em razão de afirmações do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

"Houve uma série de declarações muito ambíguas das autoridades francesas. Mas agora têm havido novas declarações em tom preventivo, afirmando que não se quer administrar os preços", disse ao Estado um negociador brasileiro.

Assim, pelo menos por ora a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, cumpre a palavra. Na segunda-feira, ela afirmou que o governo de seu país não estava defendendo a regulação dos preços, mas sim a regulação do mercado de derivativos de commodities - uma forma de conter bolhas de preços de produtos agrícolas.

Ontem, na saída de uma palestra do Instituto Internacional de Finanças (IIF), Lagarde voltou a enviar um recado ao Brasil afirmando que a proposta de administração não existe.

Derivativos. Em compensação, a proposta de regulação do mercado de derivativos de commodities está de pé. Mas nesse aspecto existe pouca resistência. Como o Estado informou ontem, o governo brasileiro aceita discutir a regulação.

"Sobre proposta de regular a especulação e aumentar a transparência, o Brasil é a favor", garantiu um técnico implicado na negociação. "O objetivo é que o mercado futuro sirva como orientador, mas que também reduza os riscos de distorções", completou.

O objetivo da proposta da França é reduzir a volatilidade dos preços das matérias-primas - em especial as agrícolas. Para tanto, ao invés de criar uma ferramenta de administração de preços, o G-20 discute reduzir o impacto potencial da especulação sobre o valor final dos produtos.

Na segunda-feira, Christine Lagarde lembrou que 85% das posições de compra das matérias-primas agrícolas são detidas por investidores do mundo financeiro, e não por produtores rurais ou atacadistas. "A "financiarização" do mercado de derivativos acentuou a flutuação dos preços", afirmou a ministra da Economia.

As discussões em torno do assunto irão além do G-20 ministerial de Paris, mas a proposta tem desde já boas chances de evoluir, porque não enfrenta a oposição nem de países emergentes, nem de desenvolvidos.

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