Países do Bric quase alcançam poder de veto no FMI

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que o Brasil foi o segundo país, atrás apenas da China, que ganhou o maior volume de cotas na reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovada na última reunião de ministros de Finanças do G-20 na Coreia do Sul, no fim de semana. Ele disse que por pouco os países do Bric (Brasil Rússia, Índia e China) não conseguiram alcançar, juntos, o poder de veto nas decisões do FMI. Segundo ele, algumas decisões do fundo exigem 85% de aprovação e os EUA são o único país que, sozinho, tem poder veto, porque têm 17% das cotas. Os Brics têm 14,18% juntos e precisam de 15%, só mais 1%, para ter poder de veto. "Mais um pouquinho a gente chega lá", afirmou Mantega.

ADRIANA FERNANDES E CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

25 de outubro de 2010 | 16h56

Ele disse que isso foi um avanço importante e que contou com a participação fundamental do diretor-gerente do fundo, Dominique Strauss-Kahn. Ele disse que em 2014 o FMI fará uma nova reforma que dará peso maior ao PIB na definição das cotas. Como o Brasil, segundo Mantega, continuará crescendo, o ministro previu que o Brasil vai se reposicionar novamente "a maior" nessa nova reforma.

Ele disse que essa reforma também prevê a redução para a Europa nas cadeiras do comitê de governadores do fundo, responsável pelas decisões do FMI. Esse comitê tem 24 cadeiras. Com a reforma aprovada no final de semana passado, a Europa perdeu duas cadeiras e os países emergentes ganharam mais duas.

O ministro também informou que as cotas do FMI, que na prática funcionam como ações, foram dobradas de US$ 343 bilhões para US$ 686 bilhões. O Brasil, segundo Mantega, não precisará fazer aporte de recursos porque recentemente fez um aporte em uma linha especial do fundo chamada "NAB" e esse aporte feito, explicou Mantega, será transformado em cotas.

O ministro disse ainda que vai demorar uns dois anos para que todo esse processo de reforma seja implementado na prática. Ele classificou de marco histórico para o FMI, e sobretudo para os países emergentes, a nova reforma aprovada para o fundo.

Ele destacou também que nos governos anteriores o Brasil era subordinado ao fundo e hoje não é mais.

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