Países do Brics fecham acordo para fundo emergencial

Montante de R$ 100 bilhões poderá ser usado em casos de falta de liquidez; fatia brasileira será de US$ 18 bilhões

DANIELA MILANESE, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, ENVIADOS ESPECIAIS, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2015 | 02h03

WASHINGTON - Em reunião realizada ontem em Washington, os membros do Brics fecharam o acordo para a estrutura do chamado Arranjo Contingente de Reservas (CRA, na sigla em inglês), um fundo de US$ 100 bilhões que pode ser usado em caso de emergência e falta de liquidez pelos países, informou uma fonte da equipe econômica brasileira.

Ontem, foi definido que o fundo será formado por um acordo entre os bancos centrais do Brics, composto por 46 artigos técnicos - desses, apenas três ainda precisam ser discutidos. Também haverá um comitê diretor, que funcionará como braço operacional, e um conselho diretor formado pelos ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do grupo.

"Foi um trabalho intenso, de três dias, coordenado pelos bancos centrais do Brasil e da África do Sul", afirmou a fonte, sobre a reunião ministerial do Brics. "O acerto é considerado uma etapa importante, no atual contexto de saída da crise mundial e da reformulação do arcabouço global."

O mecanismo havia sido definido em julho do ano passado, durante reunião em Fortaleza. A ideia da iniciativa surgiu em 2012, no encontro de cúpula na cidade de Los Cabos, no México. O tema voltará ao encontro dos chefes de Estado do grupo, agendado para julho, na Rússia. Acertada a estrutura, é necessária a aprovação do Congresso Nacional.

Do total de US$ 100 bilhões, a China entrará com US$ 41 bilhões, Brasil, Rússia e Índia com US$ 18 bilhões cada e África do Sul, com US$ 5 bilhões. Cada país poderá usar, se necessário, até o limite dos recursos que colocou. Até um terço do valor poderá ser sacado sem o aval do Fundo Monetário Internacional (FMI). Acima disso, é necessária a aprovação do fundo.

Conforme a fonte, também houve avanço na discussão sobre o Banco de Desenvolvimento do Brics, cuja sede ficará em Xangai, na China, com presidente indiano.

Mensagem. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vai passar a mensagem a investidores em suas reuniões reservadas esta semana em Washington de que o Brasil está em um ano de transição, de acordo com fonte da equipe econômica. Nas conversas, Tombini dirá que a inflação caminha para convergir para a meta de 4,5% no fim de 2016. Além disso, vai mencionar os progressos na área fiscal, mostrando que o País está no rumo para ajustar a economia.

Em Washington, Tombini vai se reunir com investidores durante sua participação na Reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do encontro ministerial do G-20, bloco formado pelos países mais ricos do mundo. Ontem, ele participou de uma reunião ministerial dos Bric (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Mais conteúdo sobre:
economiaBricsfundo emergencial

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.