Países em desenvolvimento pedem a ricos que arrumem suas casas

A recessão econômica nos países mais ricos está gerando sérios prejuízos para a economia dos países mais pobres, reclamaram os líderes de 24 nações em desenvolvimento. No comunicado final do encontro semi-anual, os ministros de Finanças do chamado G-24 disseram que os países pobres trabalharam duro para reformar suas economias e estimular o crescimento. Contudo, foram desapontados pelas falcatruas corporativas e políticas econômicas equivocadas dos países mais ricos, diz o comunicado. Os ministros do G-24 disseram que ficaram perturbados pela "debilidade da demanda doméstica dos maiores países industrializados, persistente pressão deflacionária no Japão e potencial de contágio a outros países".O colapso dos preços das ações está pressionando os países pobres e intensificando o risco de um "aperto de crédito mundial", diz o comunicado. Os ministros do G-24 disseram que os países ricos devem arrumar suas casas. "Os ministros pedem por ações decisivas e imediatas nos EUA, incluindo a implementação efetiva da legislação de governança corporativa, para restaurar a confiança do investidor", diz o texto.O Banco Central dos EUA deve reduzir as taxas de juro novamente se o crescimento econômico não se acelerar em breve, disseram os ministros do G-24.Os países em desenvolvimento estão acostumados a ser advertidos pelos países ricos por causa da baixa qualidade de seus sistemas de governança corporativa, ineficiência de suas políticas econômicas e sua resistência ao livre mercado. Contudo, eles viraram a mesa hoje.Em reunião à parte do encontro anual do FMI e do Banco Mundial, os ministros de Finanças do G-24 criticaram "a persistente política de protecionismo comercial dos países industrializados em áreas como têxtil, vestuário e agricultura... que aumentou as dificuldades que muitos países em desenvolvimento estão enfrentando diante de uma economia mundial debilitada".Eles advertiram os países europeus e o Japão sobre a necessidade de tornarem suas economias mais fortes. "Os ministros pediram reformas estruturais orientadas para o crescimento na zona do euro e uma interpretação mais flexível" das regras fiscais da União Européia, que exige dos países a manutenção de orçamentos magros. No Japão, os ministros do G-24 disseram que as "reformas estruturais devem ser aceleradas, especialmente no setor bancário".

Agencia Estado,

27 de setembro de 2002 | 19h53

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