Países emergentes discutem alternativa ao uso do dólar

Mantega diz que o uso de moedas locais será debatido, mas o tema ainda é visto com cautela

Jamil Chade e Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

16 de junho de 2009 | 00h00

Embora os governos sejam cautelosos ao falar do tema, a reunião dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), hoje, em Ecaterimbugo, na Rússia, deve discutir uma alternativa ao dólar como moeda de referência na economia internacional. Uma das opções é reduzir o uso do dólar no comércio entre os quatro maiores emergentes. Em entrevista à BBC, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a discussão sobre o uso das moedas nacionais nas trocas bilaterais entre os países dos BRICs estará na pauta do encontro em Ecaterimburgo.A corrida para reduzir a dependência do dólar, porém, será longa. Mantega reconheceu que "o dólar continuará sendo a principal moeda nos próximos anos, mesmo que a economia americana esteja mais fraca".O presidente Luiz Inácio Lula da Silva trata dos resultados do encontro com cautela. "É uma primeira reunião", disse ele ontem, na sede da ONU em Genebra. Lula disse que já levantou o debate sobre a questão da moeda com o presidente chinês, Hu Jintao. A ideia seria permitir que exportadores e importadores pudessem substituir o dólar por moedas locais para as transações."A partir da nossa experiência com a Argentina, há algum tempo venho tentando estabelecer relações comerciais com alguns parceiros nas nossas moedas", disse o presidente. "Com a China, temos uma balança comercial de quase US$ 40 bilhões. É um montante bastante razoável, e temos a possibilidade de crescer mais." Segundo Lula, como o câmbio é flutuante, o empresário pode encontrar problemas para expandir o comércio em casos de falta de dólar no mercado. O Brasil também quer debater o mesmo esquema com Rússia e Índia. Na reunião de hoje, os quatro países também vão discutir dois imbróglios políticos que podem causar desdobramentos negativos para a economia internacional: a Coreia do Norte e o Irã. Esses tópicos mobilizam a atenção dos quatro países - entre os quais dois, China e Rússia, são membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas.No último domingo, a Coreia do Norte ameaçou iniciar uma guerra nuclear na região e prometeu acelerar seu programa de armas atômicas. No mesmo dia, o processo de reeleição do atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi posto em dúvidas pelo governo americano. Ahmadinejad desafia a ONU ao manter um programa nuclear supostamente orientado para fabricar armas e alimentar um discurso agressivo a Israel.

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