Países perdem com intervenção do governo, diz especialista

As políticas econômicas anunciadas pela Venezuela, Equador e Bolívia vão reduzir os investimentos estrangeiros nesses países e o Brasil precisa demonstrar comprometimento com livre-mercado para evitar uma contaminação. Esse é o alerta de Charles Dallara, diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), associação que reúne 360 bancos de 60 países, espécie de Febraban mundial. "Seria lamentável que as percepções globais sobre a América Latina fossem afetadas por países como Venezuela, Bolívia e Equador, que correspondem a menos de 10% do PIB da região; espero que os investidores continuem diferenciando entre os diversos países, mas há um risco", disse Dallara. "Por isso é importante que países como México e Brasil reafirmem seu compromisso com o livre mercado."O IIF apresentou ontem as previsões de investimentos estrangeiros nos países emergentes. Os fluxos de capital para emergentes continuaram fortes em 2006, mas vão desacelerar em 2007, acompanhando o menor crescimento mundial. Em 2006, houve entrada líquida de US$ 501,8 bilhões nos emergentes, diante de US$ 509,3 bilhões em 2005. A previsão do IIF é que esse valor atinja US$ 468 bilhões em 2007, que ainda é bastante alto, comparado com anos recentes - em em 2004, foi de US$ 348,8 bilhões. Os economistas da associação prevêem uma desaceleração da economia mundial com conseqüente redução de liquidez, mas nada drástico.A Europa lidera o ranking, com fluxos líquidos de US$ 218,4 bilhões em 2006 e estimativa de US$ 214 bilhões em 2007. A Ásia vem a seguir, com fluxos líquidos de US$ 197,3 bilhões em 2003 e previsão de US$ 168,6 bilhões em 2007 (aí incluídos investimentos estrangeiros diretos, em ações, títulos, empréstimos bancários). A América latina fica à frente apenas da África. Segundo o IIF, os países latino-americanos receberam fluxo líquido de capitais de US$ 45,9 bilhões em 2006 e devem receber US$ 54,9 bilhões em 2007. Intervenção do governo na economiaSegundo Yusuke Horiguchi, economista-chefe do IIF, haverá saída de capitais na Venezuela, por causa da ansiedade dos investidores. "O mercado financeiro da Venezuela já reagiu, por causa da preocupação em relação ao modo como o atual governo vai tratar as empresas instaladas na Venezuela". Segundo ele, os temores dos investidores infelizmente foram reforçados com a decisão do governo venezuelano de aumentar a intervenção na economia."É lamentável que vários países da região estejam adotando políticas de maior intervenção na economia e reestatização de empresas", disse Dallara. Segundo ele, se os países da América Latina flertarem muito com a intervenção do governo na economia, eles vão perder competitividade no mundo. Na comparação, diz Dallara, a América Latina já não está entre os locais mais atraentes para investimento, porque cresce nem menos que outros emergentes. "Os países deveriam seguir o caminho do Brasil e do México, que chegaram a um caminho de estabilidade macroeconômica e baixa inflação. A inflação brasileira está próxima da americana - se tivéssemos levantado essa hipótese 10 anos atrás, diriam que estávamos loucos."O investimento produtivo, que inclui o investimento estrangeiro direto e em ações, deve chegar a US$ 55 bilhões na região (diante de US$ 46 bilhões no ano passado). O Brasil vai receber quase metade disso. O País terá um investimento estrangeiro direto líquido de US$ 13 bilhões, só perdendo para o México na região. No ano passado, por exemplo, o resultado líquido do Brasil ficou negativo em US$ 6 bilhões. Mas isso por causa do investimento da Companhia Vale do Rio Doce, que comprou a Inco por US$ 18 bilhões. O negócio distorceu todo o resultado de investimento direto para a região. BrasilEm relação a investimentos em ações, o Brasil vai liderar com folga, chegando a um recorde de US$ 12 bilhões (diante de US$ 9,2 bilhões líquidos no ano passado). "Investidores estrangeiros, que compraram quase dois terços dos papéis dos lançamentos iniciais de ações (IPOs), no ano passado, continuarão a ser grandes compradores. E a atividade de abertura de capital na bolsa deve continuar acelerada, porque empresas médias brasileiras estão abandonando a gestão familiar e se voltando para o mercado", consta do relatório.Na previsão do IIF, o Brasil terá saída líquida de recursos investidos em títulos, porque vai manter seu programa de pagamento de dívidas - saída pode chagar a US$ 2 bilhões. Os economistas prevêem uma queda no ritmo de acumulação de reservas internacionais do Brasil e acham que o superávit em conta-corrente vai se transformar em déficit neste ano. Mas não vêem isso com preocupação. "O Brasil já acumulou um bom nível de reservas."No ano passado, adicionaram US$ 31 bilhões às reservas e , neste ano, US$ 23 bilhões. As reservas estão atualmente em US$ 88,4 bilhões

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