Países pobres deixam discussão sobre acordo de banana na OMC

Acordo reduz tarifas de importação sobre a banana vinda da AL; países de África, Caribe e Pacífico protestam

Deise Vieira, da Agência Estado,

28 de julho de 2008 | 11h26

O impasse sobre as importações de banana pela Europa se aprofundou nesta segunda-feira, 28, quando países exportadores pobres deixaram as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) em protesto às propostas de corte das tarifas aplicadas à banana importada dos países latino-americanos. O acordo reduz tarifas sobre a banana de 11 países da América Latina, segundo um diplomata.   Veja também: Rodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra EUA, China e Índia trocam acusações na OMC China endurece posição e vira nova ameaça a um acordo na OMC Posição do Brasil na OMC é vista como 'traição', diz jornal Amorim nega mal-estar com Argentina na Rodada Doha Lula nega 'traição' a G-20 na OMC e diz que diferenças existem   Países de África, Caribe e Pacífico (ACP), deixaram um encontro dos membros da OMC em Genebra, já que o Equador saudou um acordo bilateral com a União Européia. "Os países da ACP saíram da sala de negociações para protestar contra a atitude da União Européia. Eles se dizem enganados pela UE, que havia garantido que continuaria as negociações", disse a fonte diplomática.   As bananas dos países da ACP entram no bloco europeu sem tarifa, mas os exportadores latino-americanos, que atualmente são alvo de uma tarifa de 176 euros por tonelada métrica, querem uma redução da barreira comercial. Durante o fim de semana, foi proposto um acordo em um encontro da UE e da América Latina, para cortar a tarifa para 114 euros por tonelada.   Mas os países da ACP temem que sua competitividade possa diminuir devido à redução das barreiras tarifárias para os países latino-americanos. Segundo Marco Vinicio Ruiz, da delegação da Costa Rica, um dos países que seriam beneficiados pela redução, o acordo não será revisado.   Camarões liderou uma rebelião da ACP no domingo, o que ameaçou bloquear um pacto mais amplo na OMC se a proposta de tarifa não for revisada em seu favor.   Segundo Ruiz, as objeções da ACP são um assunto que deve ser resolvido pela União Européia. "Pelo que entendo, este não é um problema geral com a ACP, mas sim um problema com Camarões", disse ele.

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