Leonhard Foeger/Reuters - 2/5/2020
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Países que conseguiram conter o coronavírus articulam aliança para alavancar a economia

Iniciativa pretende estimular o turismo e o comércio entre integrantes do grupo e prevê adoção de políticas comuns para evitar contágio

José Fucs, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 12h13

Um grupo de sete países relativamente bem sucedidos na contenção da pandemia do coronavírus decidiu unir esforços para tirar suas economias do marasmo, depois de mais de um mês de quarentena e paralisação quase total das atividades.

Liderado pela Áustria, um dos primeiros países da Europa a iniciar a reabertura, o grupo inclui Dinamarca, República Checa, Grécia, Austrália, Nova Zelândia e Israel, e poderá levar à reabertura de fronteiras entre seus integrantes já nas próximas semanas. O objetivo é impulsionar o turismo, um dos setores mais atingidos em todo o mundo pela pandemia, limitando o risco de propagação do vírus, e o comércio entre os participantes do grupo.

“Nossas nações reagiram logo, de forma contundente, e agora estão em outro patamar”, afirmou o chanceler da Áustria, Sebastian Kurz, na semana passada, após a primeira reunião virtual entre os primeiros-ministros dos sete países da aliança, segundo reportagem publicada pelo Wall Street Journal. A Alemanha, que anunciou a extensão das restrições ao turismo até meados de junho, também foi convidada a participar da reunião, de acordo com o Journal, mas declinou.

Para dar sequência à iniciativa, novos encontros deverão ocorrer a cada 15 dias por meio de videoconferência. Como primeiro passo, os integrantes do acordo pretendem harmonizar as políticas de prevenção do contágio, como o uso obrigatório de máscaras e a realização de testes, para evitar um recrudescimento da pandemia. A ideia é evitar a repetição de casos como os do Japão e de Cingapura, que haviam alcançado relativo sucesso no controle do coronavírus e depois viram o número de contaminados subir novamente, com o relaxamento da quarentena.

‘Aeroporto limpo’

Na semana passada, a Áustria anunciou que a partir desta segunda-feira, 4, o aeroporto de Viena passaria a oferecer testes de covid-19, ao custo de 190 euros (R$ 1.193, pelo câmbio turismo) e obtenção de resultados em três horas, para que aos viajantes livres do vírus possam evitar a quarentena obrigatória de duas semanas imposta aos que chegam ao país.

Segundo o jornal Times of Israel, a medida foi implementada a partir de uma sugestão feita por Benjamim Netanyahu, primeiro-ministro israelense, numa videoconferência com sete líderes europeus realizada no início de abril. Na ocasião, ele sugeriu a criação de “hubs aéreos seguros” na Europa, para reduzir os efeitos negativos causados pelas restrições ao turismo.

“Nós podemos designar aeroportos para nós e dizer ‘este aeroporto está limpo’”, disse Netanyahu na época, de acordo com a publicação. “Nós nos esforçamos de forma constante para mantê-lo limpo. Esfregamos, desinfetamos, toda hora, 24 horas por dia. Nós também realizamos testes com as pessoas que trabalham lá o tempo todo.”

‘Critério único’

Na Europa, porém, já surgiram críticas à aliança articulada pelo primeiro-ministro austríaco. Como quatro dos países do grupo são membros da União Europeia, onde as fronteiras estão fechadas até para quem está dentro do bloco, algumas autoridades temem que a iniciativa possa prejudicar a proposta de reabertura a ser adotada em toda a região.

“Nós precisamos adotar um critério único na Europa para restaurar a liberdade de movimentação”, afirmou o ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, numa entrevista publicada no site do ministério. “Uma disputa europeia entre quem libera o turismo primeiro vai levar a riscos injustificáveis.”

Embora a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, tenha saído em defesa da aliança, é possível que as divergências sobre a questão na União Europeia acabem fazendo com que as viagens entre a Grécia e Israel ou entre a República Tcheca e a Nova Zelândia do que as movimentações entre países do bloco. De qualquer forma, trata-se de uma iniciativa criativa para a retomada, que tenta minimizar os riscos de uma segunda onda de contágio.

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