Gabriela Bhaskar/Bloomberg via The Washington Post
Gabriela Bhaskar/Bloomberg via The Washington Post

Países que não estão preparados para a competição não vão a lugar algum

Capitalismo é a causa do êxito de EUA, Japão, Coreia, Alemanha e Escandinávia. Brasil deve definir que tipo de economia queremos

Fabio Giambiagi*, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2022 | 04h00

Começo hoje uma série de 15 artigos com propostas para a gestão de governo que resultar vencedora nas eleições deste ano.

Deliberadamente, optei por iniciar pela definição de que tipo de economia queremos. Nesse sentido, entendo que o melhor para o País seria o vencedor ter uma preferência clara pelos princípios enunciados por Schumpeter, o teórico mais profundo da natureza do capitalismo. Como enfatizado pelo seu biógrafo Thomas McCraw no prefácio de O profeta da inovação, “nos mil anos que antecederam o século 18, as rendas pessoais na Europa Ocidental duplicavam a cada período de 630 anos. Após a disseminação do moderno capitalismo, contudo, começaram a duplicar a cada período de 50 ou 60 anos. Dobravam a cada 40 anos nos EUA e a cada 25 no Japão, que começou mais tarde e pôde se beneficiar dos exemplos europeu e americano” (Editora Record, pg. 10/11).

Os países que mais progrediram no mundo nos últimos 250 anos foram aqueles onde essas regras da competição foram mais respeitadas.

Isso se aplica também à China pós-1970. Capitalismo é a causa do êxito dos EUA, da Coreia, da Alemanha, do Japão e da Escandinávia.

Isso não pode nem deve ser compreendido como a ausência do Estado. As sociedades que devemos ter como modelo são aquelas que souberam estabelecer um justo balanço entre o processo de seleção inerente ao sistema e os vetores social e político que definem regras de convivência entre grupos sociais no pacto civilizatório, cuja gradação depende de cada sociedade e do tempo histórico.

O importante é que o (e) leitor perceba que, hoje, países que não estão preparados para a competição não vão a lugar algum. Digo aqui “competição” no sentido amplo da palavra: entre indivíduos, pessoas e empresas. Na área de serviços, tirando São Paulo (que é como um outro país) e áreas do Sul, o contraste entre nossa realidade e a constatada por qualquer um que conheça minimamente os EUA, a Europa ou a Ásia é gritante. No mundo atual, o Brasil está fora do jogo.

Por que, nos últimos anos, no enfrentamento entre os vencedores da Champions League e os brasileiros – ou argentinos – no Mundial de Clubes, os europeus têm dado um baile? Qualquer torcedor entende que um jogador brasileiro da elite do Campeonato Brasileiro se tornará um jogador melhor se for jogar na Europa, no Liverpool ou no Real Madrid. O nome do sucesso é “competição”. Não deveria ser difícil de traduzir as vantagens dessa lógica para a economia – e enfrentar os nossos vícios cartoriais. 

*ECONOMISTA

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