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Países ricos ainda não saíram da crise, diz Krugman

Prêmio Nobel diz que economia global não está no momento de pânico de 2008, mas acredita que países avançados ainda não se recuperaram

RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h05

O Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman disse ontem que a economia mundial não está "no momento de pânico" registrado na primavera de 2008, quando o banco Lehman Brothers quebrou. "Porém, as economias avançadas ainda não se recuperaram da crise registrada naquele ano." Krugman fez os comentários num seminário promovido pelo Sebrae em São Paulo.

Na avaliação do economista, a crise na Europa é um fenômeno muito semelhante ao ocorrido nos EUA, marcado por alto endividamento das famílias, elevada alavancagem de investidores e complacência de autoridades reguladoras. "Mas eles têm um problema a mais: uma moeda única sem um Estado único."

De acordo com Krugman, se a Espanha ainda tivesse a peseta de 1988, o país poderia desvalorizar sua moeda. Contudo, isso não pode ocorrer agora, já que faz parte de uma região que adotou como padrão monetário o euro. "A situação da Europa é muito complicada. E a Espanha teve um problema semelhante ao dos EUA, que foi a bolha do setor imobiliário", comentou.

Em relação à Europa, o economista afirmou que uma saída para o continente sair da crise nos próximos anos seria o Banco Central Europeu expandir a política monetária a ponto de estimular o nível de atividade, mesmo que isso provoque alta dos índices de preços ao consumidor. "A inflação poderia ir a 3% a 4% e isso poderia funcionar."

Segundo ele, a situação do nível de atividade no Brasil está bem melhor que a dos Estados Unidos. "O Brasil não está em crise, mas o meu país (EUA) está, embora sua situação seja melhor do que a da Europa."

Krugman avalia que, apesar da crise global, os países da América Latina ficarão mais fortes. "Há uma melhora da distribuição de renda, embora não seja a ideal. As nações da região têm um mercado interno em expansão. O mais importante é a expansão da classe média, o que ajuda no avanço da economia doméstica e na relação inter-regional."

Amor demais. O economista afirmou que o mercado financeiro "ama demais" o Brasil, fato que ocorreu com a Europa anos atrás. Ele destacou que na zona do euro as famílias estavam altamente endividadas, mas não fez nenhum comentário se o passivo dos consumidores no País está em níveis altos ou baixos.

Segundo Krugman, o real está muito valorizado ante o dólar e, provavelmente, esse processo deve ser interrompido no curto prazo. "Se o câmbio se desvalorizasse nos próximos meses, isso não traria rupturas à economia."

O economista disse ainda que "cortar os juros agora no Brasil é apropriado", em razão do atual estado da economia mundial, marcado por um amplo movimento de distensão monetária. "Na atual conjuntura, é correto o País desencorajar o ingresso de capitais. Eu faria o mesmo", afirmou, ressaltando que o fluxo de recursos estrangeiros está colaborando para que o câmbio continue sobrevalorizado.

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