Países sul-americanos vão interligar rede de fibra óptica

Acordo deve ser assinado hoje e, segundo o ministro Paulo Bernardo, deve trazer queda nos custos de chamadas telefônicas

KARLA MENDES, EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h05

A interligação das redes de fibra óptica entre os países da América do Sul deve baratear as chamadas internacionais até 2013. O acesso a ligações de menor custo para os consumidores fora de seus países de origem - o chamado roaming internacional - é um dos objetivos do plano de ação estratégico que será assinado hoje entre os ministros do governo brasileiro e dos países vizinhos.

"Teremos uma vantagem extraordinária. As ligações vão cair muito", garantiu ao Estado o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Levantamento do Ministério das Comunicações mostra que o custo de conexão com outros países, em alguns casos, chega a ter peso de 45% no custo das ligações internacionais.

Como consequência, os preços médios pagos por usuários da América Latina são 300% a 2.000% superiores aos valores cobrados nos Estados Unidos e Europa, conforme estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que será apresentado hoje.

Isso porque, em função da deficiência da interligação dos anéis de fibra óptica na América Latina, muitas vezes, para efetuar uma ligação para um país vizinho, primeiro a chamada precisa ser desviada para os Estados Unidos para depois retornar ao seu real destino.

"Essa forte dependência da América Latina em relação à América do Norte faz com que o preço dos serviços de internet ao consumidor final seja excessivamente alto e inacessível para a maioria da população", destaca o documento.

Problema sério. A ideia de se criar um grande anel de fibra óptica unificado na América do Sul resolverá também o problema de saturação nas redes que se anuncia em poucos anos. "Temos uma situação de tráfego ruim. Até 2017 vai dar problema sério", alerta Paulo Bernardo.

O investimento, porém, é marginal - cerca de R$ 100 milhões - diante dos benefícios para a população, destaca o ministro. "Temos muita infraestrutura de fibra óptica, mas não está interligada", observa Bernardo.

Por essa razão, serão construídos os chamados "pontos de tráfego", que promoverão a integração de todas essas redes, totalizando cerca de 10 mil quilômetros de fibra por onde trafegará não só chamadas de voz, mas também dados.

"Faremos a interligação com estradas, linhas de transmissão, gasodutos e o impacto ambiental é pequeno", ressaltou o ministro.

Investimento privado. Segundo Bernardo, não há barreiras para que iniciativa privada faça os investimentos necessários para as interligações, mas onde não houver interesse das empresas, ele garantiu que o governo tomará as rédeas da situação. "Onde a iniciativa privada não entrar, o governo vai fazer", enfatizou.

A Eletrobras é parceira estratégica nesse processo, segundo Bernardo, além da Telebrás. "Ela tem poder de mercado, infraestrutura, dinheiro e gente", ressaltou.

A parceria, segundo o ministro, será semelhante à que ocorreu para uso das redes da holding do setor elétrico para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O assunto já foi discutido com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, de acordo com Bernardo.

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