Países temem ação do Brasil contra regime de açúcar europeu

Ministros de comércio de mais de dez países da África, Caribe e Pacífico desembarcarão nesta sexta-feira em Brasília para pedir que o governo brasileiro não abra um processo na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o regime de açúcar da Europa. Os países ACP, como são conhecidos, se beneficiam do sistema da União Européia (UE) e temem que, se o regime for condenado pela OMC, perderão seus privilégios para exportar.No ano passado, Brasil e Austrália iniciaram consultas com Bruxelas em Genebra para que o regime do açúcar da UE fosse revisto. Para o Itamaraty, o sistema, ao dar subsídios aos produtores, acaba prejudicando as exportações do Brasil para todo o mercado internacional. Diante do fracasso nas consultas, porém, o País estuda pedir a intervenção da OMC.Os países do ACP acreditam que se a entidade máxima do comércio internacional condenar a política européia, quem sairá perdendo são suas economias, já em grandes dificuldades. De acordo com o regime atual, os europeus dão benefícios para o açúcar importado de países como Ilhas Maurício, Fiji, Guiana e Suazilândia.Em Genebra, o subsecretário de Comércio do Itamaraty, embaixador Clodoaldo Hugueney, esclarece que o Brasil não questiona os benefícios dados pela UE para os países pobres. "Nossa queixa está baseada no fato de que a Europa subsidia seus produtores e ainda reexporta o açúcar que compra dos países do ACP, distorcendo o mercado internacional", afirma o embaixador. O Brasil ainda acusa Bruxelas de estar usando os países do ACP para evitar ter que mudar seus subsídios.Em Brasília, os ministros da Guiana, Maurício e Fiji, entre outros, terão reuniões com o chanceler Celso Amorim, com representantes do Ministério do Desenvolvimento e com autoridades do Ministério da Agricultura. A mensagem será a mesma para todos - não levar o caso adiante.Mas a pressão feita pelo ACP não ficará sem resposta. Os produtores de açúcar do Brasil pretendem promover uma reunião em Genebra para mostrar como são atingidos pelas práticas desleais da UE e provar que não irão prejudicar as exportações dos países africanos e do Caribe.

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