Países usam tática para forçar Cairns a recuar na OMC

A falta de um acordo sobre agricultura na minirreunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), que aconteceu no último final de semana em Tóquio, torna imprevisível o futuro da Rodada Doha da OMC, prevista para terminar em 2005. A reunião de 25 ministros da organização no Japão foi convocada justamente para desentravar as negociações, especialmente na agricultura. "Aparentemente, todos vetaram a proposta agrícola preliminar. A rodada está em risco, sem dúvida", diz João Maurício Teixeira da Costa, diretor da Prospectiva Consultoria de Assuntos Internacionais.Na avaliação do analista, o fato de os países que subsidiam sua agricultura manterem posições irreversíveis, sobretudo os da União Européia e o Japão, deixa a impressão que eles estão jogando para que o grupo de Cairns volte atrás na defesa do fim dos subsídios à agricultura. O grupo de Cairns, que inclui o Brasil, é formado por 17 países produtores agrícolas contrários aos subsídios das nações desenvolvidas.Essa foi a estratégia usada durante a Rodada Uruguai (1986-1994). Naquelas negociações, diversos países agrícolas não se envolveram efetivamente no processo. "Mas hoje, as chances de o grupo de Cairns abrir mão de seus interesses para salvar a rodada são muito menores", acredita Teixeira da Costa. Uma nova proposta revista será apresentada pelo presidente do grupo negociador de Agricultura na OMC, Stuart Harbinson, até março.

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