Países vendem estoque para derrubar petróleo

Membros da Agência Internacional de Energia, sob liderança dos EUA, vão colocar no mercado 60 milhões de barris de suas reservas

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2011 | 00h00

Os Estados Unidos conseguiram fechar um acordo ontem com seus 27 sócios na Agência Internacional de Energia (AIE)para colocar no mercado um volume adicional de 60 milhões de barris de petróleo de seus estoques ao longo dos próximos 30 dias.

A iniciativa tem o objetivo de cobrir parte do suprimento mundial prejudicado pelo conflito na Líbia e impedir a escalada dos preços do combustível. No entanto, também lança um claro sinal contra a recente decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), sob a liderança do Irã e da Venezuela, de não autorizar o aumento da produção da commodity.

Conforme a decisão, os Estados Unidos se responsabilizarão por prover a metade do volume adicional - 30 milhões de barris. Segundo a agência de notícias Reuters, as reservas de petróleo dos EUA estão hoje em 727 milhões de barris.

A Agência Internacional de Energia deverá liberar 2 milhões de barris diários. Embora o volume de 60 milhões de barris corresponda a apenas um dia de consumo mundial de petróleo, a decisão causou reação imediata no mercado.

O preço futuro do petróleo bruto nos EUA caiu ontem US$ 4,05, para a cotação de US$ 91,02 por barril (ler mais no box ao lado). Logo depois do anúncio da decisão da Opep, em 8 de junho passado, esse preço havia alcançado US$ 100,74.

"Nós tomamos essa iniciativa em resposta à atual perda de fornecimento de petróleo provocada pelos transtornos na Líbia e em outros países e ao impacto dessa situação na recuperação da economia mundial", afirmou o secretário americano de Energia, Steven Chu, por meio de um comunicado.

"Na medida em que prosseguirmos com essa medida, vamos continuar a monitorar a situação e estaremos prontos para dar passos adicionais, se forem necessários."

O acordo de ontem na AIE, entidade com sede em Paris, repetiu atitude tomada pelos Estados Unidos em 1991, na época da Guerra do Golfo. Em 2005, diante da destruição de plataformas do Golfo do México pelo furacão Katrina, o governo americano também autorizou a liberação de 21 milhões de barris de petróleo de suas reservas.

Reações em casa. Desta vez, a iniciativa conta também com um componente doméstico adicional - a briga do presidente americano, Barack Obama, para derrubar os preços dos combustíveis no período de alto verão (julho-agosto), quando boa parte dos americanos viaja pelo país, o que, consequentemente, eleva o consumo de combustíveis.

A decisão provocou reações diversas nos Estados Unidos, especialmente pelo fato de os 30 milhões de barris saírem das Reservas Estratégicas de Petróleo. A Casa Branca justificou ser a medida coerente com o propósito desse estoque, ou seja, impedir a escalada de preços domésticos dos combustíveis e o impacto negativo da queda da produção mundial de petróleo no crescimento econômico do país.

A Associação Nacional da Indústria Petroquímica e de Refinarias, entretanto, criticou a medida por ter sido adotada em um momento de queda nos preços da gasolina e de estoque reduzido de curto prazo. Para a entidade, a iniciativa não faz sentido e enfraquece a economia e a segurança nacional americana. A liberação anunciada ontem pela AIE é a terceira em seus 37 anos.

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