Palavras de Lula na audiência com o presidente da GM

Palavras do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na audiência com o presidente mundial da General Motors Corporation, Richard Wagoner,no Palácio do PlanaltoEu queria, primeiro, cumprimentar o governador Germando Rigotto, cumprimentar o ministro Tarso Genro, cumprimentar os senadores Paim, Pedro Simon e Zambiasi, os deputados Mendes e Beto Albuquerque, cumprimentar o presidente da General Mundial, Richard Wagoner, cumprimentar os demais diretores da GM, cumprimentar o meu querido Bordignon, prefeito de Gravataí, que está com um sorriso de orelha a orelha,E dizer ao presidente da GM que esse investimento em Gravataí, demonstra um acerto da GM em acreditar no Brasil. Não só porque o Brasil tem um mercado potencial, que pode consumir muitos produtos produzidos pela GM, mas porque o Brasil tem um mão-de-obra no setor automobilístico altamente qualificada. Eu diria, sem medo de errar, ao presidente da GM, que poucos países do mundo são capazes de produzir produtos de qualidade como produzem os trabalhadores brasileiros. Eu falo isso sem medo de errar, porque em se tratando de produzir carro, em se tratando de metalúrgico da indústria automobilística, eu duvido que os Estados Unidos, que a Alemanha, que a França, que a Itália tenham profissionais mais qualificados do que o Brasil.Então, essa é uma garantia extraordinária para uma indústria do porte da GM, que quer exportar não apenas carro, quer exportar qualidade, quer exportar garantia. E sobre isso, eu penso que os senhores já tiveram experiência, há muitos anos no ABC paulista. Estão tendo agora a experiência, mais recente, em Gravataí. E esse investimento, eu não tenho dúvida nenhuma, acontece por conta da certeza que vocês têm de que nós temos mão-de-obra qualificada, de que temos um mercado consumidor potencial extraordinário e, sobretudo, porque vocês acreditam que o Brasil entrou na sua fase de crescimento sustentável.É importante que a direção da GM compreenda que o Brasil é um país que se habituou a conviver com a inflação. Se a gente pegasse uma data referência, de 1964 para cá, nós iríamos perceber que a inflação passou a fazer parte do cotidiano da vida dos brasileiros. Entre 40 e 100, era a mesma coisa que nada. E, de vez em quando, alguém inventava um plano. E os brasileiros sabem a quantidade de planos que nós já tivemos neste país. Alguns duraram meses, outros duraram anos, mas nenhum se sustentou porque foram criados de afogadilho, como se fossem tábua de salvação para um ingrediente que faltava na política brasileira, que era a seriedade, não apenas para com um mandato de quatro anos, mas a seriedade com um modelo de desenvolvimento sustentável que deva perdurar por algumas gerações.Vocês irão perceber que nós somos a primeira experiência no Brasil, que estamos levando este país a uma estabilidade sem inventar nenhum plano econômico. Não existe um plano Lula, um plano Palocci, um plano Rigotto ou um plano Tarso Genro. O que há, na verdade, é o compromisso da seriedade com a coisa pública. Isso aqui não é nosso, nós é que somos brasileiros. E nós temos que fazer as coisas para passar credibilidade, não apenas para os trabalhadores e para o povo que nos elegeu, mas para passar credibilidade para aquelas pessoas que nós queremos que sejam parceiros nossos.Da mesma forma que eu viajo o mundo desafiando os nossos empresários a não terem medo de virarem empresas multinacionais, eu viajo o mundo convidando empresas multinacionais a virem experimentar o Brasil, porque muitas vezes se vende lá fora uma idéia de um Brasil carnavalesco, que é, e é bom ? na hora em que o senhor for ao carnaval, vai gostar -, de um Brasil futebolístico ? que é, por isso somos penta campeões mundiais ? mas do Brasil sério, com homens públicos comprometidos com os interesses nacionais.Foi por isso que, em apenas um ano, nós votamos duas reformas, graças à compreensão de governadores de Estado, graças à compreensão dos deputados e dos senadores. Nós aprovamos duas reformas que, historicamente pensava-se que não era possível fazer no Brasil. E fizemos porque nós não queríamos a reforma do Presidente, a reforma do partido do Presidente, e o primeiro gesto foi uma reunião dos 27 governadores, estabelecendo um parâmetro base para que pudéssemos a partir daí, discutir a reforma no Congresso Nacional. Agora, temos o PPA e temos o PPP, que é uma parceria Público-Privado, que vai ser votada esses dias pelo Congresso Nacional, que muitos governantes, durante muito tempo, faziam questão de utilizar como cobaia para justificar o fracasso das suas políticas econômicas ao ver que o Congresso não funcionava.Hoje, eu quero dizer na frente do presidente da Mercedes Benz, ou melhor, da GM ? e vou dizer porque estou falando Mercedes Benz, aqui, porque já falei duas vezes ? e fui a um encontro, em Genebra, com 220 empresários de 24 países, e um discurso que o presidente da Mercedes Benz fez, em defesa dos investimentos no Brasil e da qualidade do trabalhador brasileiro, nem o Luiz Marinho faria melhor na porta da fábrica. Ele fez um elogio, até porque ele disse que, no Brasil, a empresa dele é a referência mundial de todo o grupo pela qualidade dos produtos. Eu não tenho dúvida nenhuma de que é para a GM também. Houve uma empresa que se queixou porque ele elogiou o sindicato e falou numa empresa também da Alemanha. Ele falou para a empresa: ?você não gosta do sindicato, porque você não cumpre os acordos que você faz com o sindicato, e eu cumpro?. Hoje, estamos mostrando que o Congresso Nacional, quando se trata de assunto sério, trabalha com seriedade. Muita gente criticou o Congresso porque eu fiz uma convocação extraordinária para votar coisas importantes. Pois bem, termina no dia 19 a convocação extraordinária, e o Congresso vai votar tudo aquilo que foi previsto, numa demonstração de que, na medida em que há seriedade e respeito com o Congresso, ele age, pois o Congresso é a demonstração mais viva da cara política do nosso país. Ou seja, a gente tem de tudo, como há de tudo em qualquer lugar do país, e nós estamos provando que, quando as pessoas estabelecem uma relação de seriedade, as pessoas passam por cima de partido, as pessoas passam por cima de interesses menores.E quando nós estamos aqui, diante de uma empresa do porte da GM, do significado econômico da GM no mundo, a gente quer dizer ao seu presidente: primeiro agradecer pela confiança no Brasil, segundo, dizer que nós faremos todo o esforço que estiver ao nosso alcance para, com a maior seriedade do mundo, fazer com que o crescimento econômico que nós queremos ? e que já começou desde o final do ano passado no Brasil ? não seja uma bolha de crescimento, mas seja sustentável, com políticas consistentes do Governo e, sobretudo, com muito diálogo, com muita conversa, com muitos acordos, porque eu acho que nas relações humanas e nas relações econômicas, não há nada mais importante do que a relação de confiança que uma pessoa estabelece com a outra, que uma indústria estabelece com o Governo e com o país, e a confiança que o país também passa para as suas indústrias.Estejam certos de uma coisa, eu tenho dito desde o dia da posse: eu tenho quatro anos de mandato, eu sei o que pesa no meu ombro se não fizer as coisas nas quais acredito. E eu não quero fazer nenhuma aventura descabida. Há milhões de brasileiros passando necessidades e que nós temos a responsabilidade de cuidar deles como se estivéssemos cuidando dos nossos filhos. E isso só será possível se a gente fizer a economia crescer, se a gente gerar empregos e distribuir renda, porque com políticas paliativas a gente não resolve o problema da economia de um País.Portanto, meus parabéns a toda a Diretoria da GM. Meus parabéns ao presidente da GM, e quero dizer a vocês que, em nenhum momento, se arrependerão de terem acreditado no Brasil. Muito obrigado.

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