Palocci afirma que juros são altos por causa da dívida pública

No dia em que começa a reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), que reavalia a Selic - a taxa básica de juros da economia, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, procurou explicar aos parlamentares que os juros são elevados no Brasil em função do tamanho da dívida líquida do setor público. "Nós temos uma dívida hoje de pouco mais de R$ 900 bilhões", disse Palocci. De acordo com ele, toda vez que a dívida passa de 55% do Produto Interno Bruto (PIB), cria-se um clima no mercado de terror sobre a possibilidade de não pagamento dos compromissos da dívida. Com isso, os investidores pedem um prêmio (juro) maior para ficar com os papéis da dívida brasileira. Palocci lembrou que, na crise de 2002, a dívida chegou a bater na casa dos 62% do PIB. "Conseguimos reduzir, com esforço fiscal, essa dívida em 4,5 pontos porcentuais", disse Palocci . Ele destacou que isso foi uma conquista do País obtida nos últimos três anos. A dívida líquida hoje, segundo Palocci, está em torno dos 51% do PIB. Outro fator que, segundo Palocci, explica a alta taxa de juros é o tamanho da despesa do setor público. "Nos últimos 12 a 13 anos, a despesa corrente vem crescendo acima da inflação e do PIB", disse. Para o ministro, sem uma queda substancial dos gastos, não será possível se verificar uma redução substancial da taxa de juros. Nesse sentido, ele lembrou aos parlamentares que o plano de ajuste fiscal de longo prazo apresentado pela equipe econômica previa que houvesse uma redução dos gastos correntes de 0,1 a 0,3 do PIB no período de dez anos. Isso permitiria, segundo Palocci, reduzir os juros. Palocci destacou que essa medida não implicaria uma redução dos gastos sociais, como apontam alguns analistas. "Pelo contrário, haveria maior garantia de mais recursos para os gastos sociais.". Ele acrescentou que no plano de longo prazo as despesas poderiam até crescer acima da inflação, mas jamais ultrapassariam a variação do PIB. Inflação controlada A definição da taxa Selic leva em conta o cumprimento da meta de inflação que, neste ano, é de 5,1%. Contrário à idéia de que a o juro poderia cair mais, mesmo que a inflação subisse, Palocci lembrou que a inflação "arrebenta" a renda dos mais pobres. O ministro destacou que a alta dos preços também tira a previsibilidade das empresas. "Ninguém pode fazer planejamentos para o futuro com inflação alta", disse Palocci. O ministro também chamou atenção para o fato de que a inflação elevada impede o ajuste das contas públicas. "Na época da inflação alta, tudo se arrumava, não era preciso fazer ajustes das contas públicas", disse Palocci. Ele afirmou aos parlamentares que é necessário combater não só a inflação como também a cultura da inflação. O ministro destacou aos parlamentares, em sua exposição, que no passado os trabalhadores tinham que correr para gastar porque a inflação alta fazia com que o poder de compra fosse reduzido a cada hora. "Nós acabamos com essa história", disse Palocci, destacando ao mesmo tempo o trabalho feito por governos anteriores ao atual. Ontem, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmou a necessidade de geração de um superávit primário - arrecadação menos despesas, exceto o pagamento de juros - que permita uma relação decrescente da dívida pública sobre o PIB. Num breve pronunciamento, Meirelles defendeu a estabilidade econômica e a convergência da inflação para a meta como pré-requisitos para o crescimento do País a longo prazo.

Agencia Estado,

22 Novembro 2005 | 12h55

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.