Palocci agradece ao FMI por ajuda ao Brasil

Deixando para trás o tempo em que ele e seus companheiros gritavam "fora FMI", o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, informou hoje que reuniu-se com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Horst Köhler para agradecer. "Fiz um agradecimento ao Fundo por dois motivos", explicou. "Primeiro, por ter feito um programa de grande porte com o Brasil que ajudou o ajustamento das nossas contas; segundo, pelo fato que o Fundo compreendeu uma solicitação nossa de que nós preferíamos anunciar sempre as nossas metas, independente das negociações com eles."Questionado sobre se não se sentia desconfortável visitando "a toca da onça", o ministro riu. "Eu não chamaria esse ambiente tão amigável ao Brasil como a toca deste belo animal", comentou. "Tem um diretor-executivo aqui do meu lado que eu digo que é como a polícia militar: positivo e operante." Ele referia-se ao ex-secretário do Tesouro Nacional, Murilo Portugal, que representa o Brasil e um conjunto de outros países no Fundo. Segundo o ministro, Portugal "tem uma fortíssima atuação" no Fundo e goza de "grande reconhecimento." Palocci explicou que o agradecimento ao FMI não lhe causa nenhum desconforto ideológico. "Nossa relação com o Fundo é uma relação de governo com uma instituição da qual o Brasil faz parte, é acionista", disse. Segundo o ministro, não há nada de ideológico no relacionamento do Brasil com os organismos multilaterais, embora ele considere que posições ideológicas são "legítimas." O ministro acha que o ideal, tanto para o Brasil quanto para o Fundo, é não haver programa em andamento. No entanto, ele não descarta a possibilidade de prorrogar o acordo, caso seja necessário. Ele insistiu no fato que o FMI ajudou o Brasil com o acordo fechado em setembro passado, no valor de US$ 30 bilhões. Não só pelo montante colocado à disposição do País, mas também pelo fato de o Fundo concordar com uma maior autonomia do País em relação às metas.

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