Palocci defende abertura de fronteiras para países emergentes

Elogio é bom, mas é preciso que eles se transformem em mais investimentos e, principalmente, maior abertura do mercado internacional aos produtos brasileiros. Esse foi o recado que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, transmitiu na primeira intervenção da administração do petista Luiz Inácio Lula da Silva no Fundo Monetário Internacional (FMI), durante a reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional."Para nós, o reconhecimento da estabilidade que o Brasil está conquistando é importante", afirmou Palocci. "Mas para que se garanta a evolução efetiva dos países emergentes para a conquista de uma situação de crescimento, é preciso que os países desenvolvidos tenham uma clara disposição de interromper seus subsídios, que são pesados, e abram suas fronteiras para os produtos dos países emergentes."Hoje a condução da política econômica brasileira foi elogiada pelo grupo dos sete países mais ricos do mundo, o G-7. "É uma surpresa ver que o Brasil conseguiu refletir sua política de ajuste em todos os organismos multilaterais", comentou o ministro. Na sua avaliação, isso se deve à percepção de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está ?determinado a colocar as contas do País em ordem." Palocci disse que esse reconhecimento é importante para elevar o fluxo de investimentos ao Brasil."Nesse ponto de vista, não vamos ficar nos baseando apenas nos elogios, vamos trabalhar para que eles se transformem em investimentos para nosso País", afirmou. "Não se pode confiar que a estabilidade traz crescimento automaticamente; não se pode confiar que os investidores procuram apenas voluntariamente os melhores investimentos." A chave da transformação dos elogios em investimentos, acredita Palocci, é trabalhar.Segundo o ministro, a sustentação do processo de crescimento do País depende de uma maior abertura dos mercados mundiais, e esse foi o recado que ele trouxe ao FMI. Palocci comentou que o FMI está interessado no tema, tanto que o incluiu na pauta da reunião. "O Banco Mundial também está agindo nessa direção e há, por parte dos ministros da área financeira, uma disposição que as agências internacionais atuem em apoio à rodada de Doha, porque as últimas reuniões não foram positivas." O ministro acredita que a disposição de rever subsídios e barreiras ao comércio deverá constar dos documentos finais da reunião de primavera do FMI. "Não basta exigir dos países que cumpram suas pautas. Os que têm mais responsabilidade no crescimento global não coloquem obstáculos ao crescimento dos países mais pobres ou em desenvolvimento. É preciso cobrar que abram suas fronteiras", afirmou.

Agencia Estado,

12 de abril de 2003 | 19h06

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