Palocci defende controle da inflação e autonomia do BC

O ministro da Fazenda, em entrevista coletiva na tarde de hoje em Davos, fez uma forte defesa da política de combate à inflação promovida pelo Banco Central e disse que as críticas ao BC reforçam a necessidade de ser implementada a autonomia formal da instituição.Palocci, ao comentar o debate sobre as taxas de juros, disse que, se há uma coisa que é fundamental para um projeto econômico, é garantir ao trabalhador um ganho social. "E o maior e mais básico projeto de interesse social em um país, do ponto de vista do trabalhador, é o controle da inflação. Não há nada mais importante para a renda das famílias do que o controle da inflação", disse.Segundo o ministro, por isso, o BC, que tem a responsabilidade de perseguir as metas decididas pelo governo, não pode deixar de "dar a mensagem, permanentemente, contra qualquer pressão inflacionária". Segundo o ministro, "o que aborta o crescimento é a inflação, não o controle da inflação". Palocci admitiu que, para o combate da inflação, "há momentos em que tem de haver ajustes mais duros". Isso, segundo ele, "faz parte, é necessário fazê-lo para garantir inflação sob controle e crescimento efetivo". O ministro rebateu as críticas segundo as quais com juros altos o País não cresce. "Disseram isso no ano passado, mas os números não confirmaram. Respeitamos que voltem a dizer, mas vamos ver se no final do ano (2005) os números confirmam as previsões, porque em 2004 tivemos uma produção industrial e um crescimento recordes", disse Palocci. Autonomia do BCPalocci negou que o governo planeje fazer qualquer mudança iminente na diretoria do BC. "Isso não é possível, não está na pauta, o que há é boato", disse. "Depois que assumimos, fizemos várias substituições no BC para montar a atual equipe e sempre tratamos estas substituições com a maior transparência. Não há nada em pauta, apenas boatos e não vou comentar boatos", enfatizou.O ministro observou, contudo, que estes rumores e o debate em torno do BC mostram o quanto é importante a instituição ter uma autonomia formal. "De fato, o BC tem desde a posse do presidente Lula total autonomia operacional, ninguém tem dúvida disso", disse. "E por isso a equipe do doutor Meirelles pode atuar de maneira muito eficaz, com resultado muito bom".

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