Palocci defende solução de mercado para Varig

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em sua primeira manifestação pública sobre o caso Varig, defendeu "uma solução de mercado" para os problemas financeiros da empresa. Ele respondeu a perguntas diretas sobre a Varig formuladas por jornalistas, mas em nenhum momento citou o nome da companhia. Lembrando que, apesar das dificuldades de algumas empresas, o setor aéreo está em franco crescimento, Palocci afirmou que é "mais positivo acreditarmos na concorrência" e que é "a concorrência que trará a melhor solução" (para a Varig). "Não acho que regular demais, o Estado controlar demais, e reduzir o tamanho do mercado ou aumentar os preços, seja a solução. Mais positivo é acreditarmos na concorrência. Temos alguns setores que têm medo da concorrência e isso é um problema no setor aéreo", afirmou. Palocci disse que o governo não quer promover uma guerra tarifária, mas sim promover a concorrência.O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, também reforçou essa percepção no governo, afirmando que as sugestões de Palocci soam como "música para os ouvidos". O ministro lembrou que a Varig precisa de uma injeção de capital e que o governo não tem dinheiro para socorrer a companhia.Afirmou também que a proposta apresentada recentemente por meio do Unibanco para solução financeira dos problemas da empresa foi "inadequada". "Nunca ouvi ninguém dentro do governo ficar como estátua em relação à Varig. Mas temos de achar uma solução, não do governo para a Varig, e sim com a Varig", defendeu Mares Guia.Lei de FalênciasQuestionado sobre a "solução de mercado" defendida anteriormente para a Varig, o ministro Palocci sugeriu que esta alternativa passa pelo enquadramento da empresa na nova Lei de Falências. Novamente sem citar especificamente o nome da Varig, Palocci disse que houve uma discussão sobre se as companhias aéreas em dificuldades entrariam na nova Lei de Falências ou seguiriam lei específica do setor.O ministro afirmou que o Ministério da Defesa solicitou que a legislação utilizada fosse a de Falências, o que permitiria a continuidade operacional da companhia numa empresa separada, que, entre outros fatores, não carregaria seu passivo trabalhista. Indagado sobre a perda potencial de empregos desta medida, Palocci respondeu que o setor teria condições de absorver os empregados da companhia.

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