Palocci destaca importância do microcrédito para juro menor

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse hoje, durante o anúncio das medidas de microcrédito, que as determinações de incentivo ao microcrédito e à microfinança são dirigidas aos setores mais frágeis da economia e se somam a outras ações já lançadas pelo governo, podendo ajudar a diminuir os spreads bancários ? diferença entre a taxa de captação paga aos investidores e os juros cobrados nas operações de crédito. Entre as demais medidas já anunciadas, citou o Plano de Desenvolvimento do Turismo, o Plano de Safra 2003/2004, o Seguro-safra, verba para a agricultura familiar e o Plano de Incentivo à Pesca. Palocci citou a dificuldade que pessoas físicas e pequenas empresas têm para obter crédito, chegando a pagar até 360% de juros ao ano. Disse ainda que 64% das microempresas fecham as portas no primeiro ano de funcionamento e que é necessário um esforço conjunto da sociedade para mudar esse quadro.O ministro afirmou que existe uma roda que começa com inadimplência alta, cunha tributária elevada e grandes lucros que resultam em juros altos. Disse que é necessário reverter esse processo. "É possível rodar a roda num círculo virtuoso, e não no círculo vicioso que temos hoje", afirmou. O estímulo à microfinança, segundo ele, ajudará a reduzir os spreads bancários. Ele informou que as medidas foram preparadas, durante dois meses, por vários órgãos do governo, sob cobrança contínua do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, segundo ele, "tem um olho voltado para a macroeconomia e outro para a necessidade das pessoas". "Objetivo é atingir centro da meta de inflação"O ministro reafirmou que o combate à inflação não é um fim em si mesmo, mas um meio para proteger os pobres e garantir condições para a retomada do crescimento. Ele destacou que o governo trabalhará para atingir a meta de inflação de 5,5% fixada ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2004. Palocci classificou de sadia a discussão que se estabeleceu na imprensa sobre se o governo estaria, ao fixar uma margem de tolerância de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo, aceitando uma inflação um pouco mais alta para ter maior crescimento econômico ou se o governo iria buscar a meta central de 5,5%. "Quando nós anunciamos a meta de inflação, nós vamos buscar esta meta, porque nós estamos convictos de que o Brasil pode ter inflação baixa e crescimento econômico", afirmou. Segundo Palocci, o Brasil não está condenado a optar entre a inflação baixa e nenhum crescimento ou inflação alta para "um crescimento pífio de curta duração". Segundo o ministro, este não é o destino do Brasil. Inflação sob controlePalocci disse também que a primeira etapa da luta pela estabilização foi vencida e que foi debelado definitivamente o risco da inflação alta. "A inflação alta saiu das páginas dos jornais, hoje o debate é o crescimento". O ministro reiterou que, neste momento, o governo ainda não encerrou o esforço de combate à inflação e do controle das contas públicas, mas sugeriu que o momento permite maior foco no crescimento. "Definitivamente o Brasil saiu da UTI e pode se colocar uma pauta coordenada de crescimento econômico", disse. Segundo Palocci, crises nas proporções do ano passado impõem custos e no momento em que o governo decidiu priorizar o combate à inflação foi para evitar que os mais pobres pagassem este custo. O ministro disse que o governo já tinha superado recentemente a pauta exclusivamente macroeconômica quando lançou um documento contendo os pilares do crescimento, que incluía as reformas estruturais, medidas para o crédito, para a energia, a logística dos transportes, política industrial e de ciência e tecnologia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.