Palocci discutirá autonomia do BC com deputados

Preocupado com a posição da bancada do PT sobre a proposta de autonomia do Banco Central, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, vai receber na próxima semana um grupo de deputados para discutir o assunto. As pressões da ala mais à esquerda do PT contra a adoção do modelo no Brasil cresceram na reunião da bancada de terça-feira que elegeu o novo líder, deputado Paulo Rocha (PT-PA). Os deputados de esquerda tentaram votar um documento, mas não conseguiram apoio suficiente para levar a idéia adiante, devido à resistência de parlamentares do chamado campo majoritário do PT, que comunga com as posições do governo."É incrível como criamos problemas para nós mesmos", reagiu o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), condenando a votação. O deputado Arlindo Chinaglia (SP) disse também que retiraria sua assinatura do documento caso ele fosse posto em votação. Para evitar novos desgastes e rachas na bancada, Paulo Rocha assumiu o compromisso de debater o assunto internamente e levar a posição da esquerda ao governo. Por isso, estará presente ao encontro com o ministro Palocci. As versões de que a bancada do PT se posicionara contra a autonomia do BC levaram o ministro Palocci a telefonar preocupado para vários deputados na quarta-feira.Vigência a partir de 2007Uma das propostas que está sendo discutida informalmente por deputados do PT com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, é deixar para 2007 a vigência da autonomia do Banco Central. Ou seja, no mandato do futuro presidente. Se reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já assumiria o novo mandato com o compromisso de pôr a medida em prática. Palocci, no entanto, ainda não deu o sinal verde. No último dia 16, a Câmara de Política Econômica discutiu o assunto em reunião, tendo seus integrantes a oportunidade de ouvir explicações sobre os modelos de autonomia do BC vigentes em vários países.Um documento elaborado pelo Ministério da Fazenda, enfatizando a importância da autonomia do BC para que os objetivos de política monetária sejam exercidos com eficiência, foi o ponto de partido para a debate interno na Câmara. As conclusões serão levadas ao presidente Lula que dará a palavra final sobre a proposta a ser encaminhada ao Congresso. Mas não há data nem definição sobre o modelo que o governo do PT pretende implantar no Brasil.

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