Palocci diz que ata do Copom foi clara sobre queda de juro

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que hoje que não pode esclarecer a tendência de queda dos juros melhor do que fez a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que definiu a queda da Selic, a taxa básica de juros da economia, de 19,75% para 19,50% ao ano. "A ata do Copom foi muito clara", ponderou. Ele observou que as questões colocadas na ata indicaram a possibilidade de a política monetária ser menos restritiva.Palocci ressaltou, porém, que "a velocidade e os momentos em que isso (o corte dos juros) vai ser feito" será decidido pelo Copom, com base na evolução do quadro inflacionário. Palocci afirmou que o importante é que "mais uma vez o movimento do Copom foi um movimento de sucesso" (referindo-se à decisão de cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual). "Agora o que se vê pela frente é uma política monetária menos restritiva com conseqüências importantes no crescimento econômico", disse.O ministro lembrou que o Brasil continua gerando mais de mil empregos formais por mês e a renda continua aumentando, inclusive por efeito da redução da inflação, que está rodando por volta de 5% ao ano. "Esta redução importante, da inflação, foi fruto da política monetária e o reflexo imediato desta mudança foi o aumento da renda dos trabalhadores", acrescentou. Segundo o ministro, o aumento consistente da renda dos trabalhadores é o que pode dar maior consistência a um crescimento futuro da economia. Palocci deu as declarações após almoço do G-7, grupo dos sete países mais desenvolvidos que ocorreu hoje, em Washington. Antes, no primeiro compromisso do dia, Palocci teve encontro com o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz.PetróleoAo ser indagado sobre se a alta do petróleo pode ameaçar o ciclo de queda de juros no Brasil, o ministro disse que o Copom está certo ao fazer na ata um balanço de riscos e destacou que vê com otimismo o futuro da economia. Contudo, não arrisca um prognóstico para as próximas reuniões de política monetária.Ele ressaltou que o petróleo foi a palavra mais citada no almoço do G-7. "Não vejo que o petróleo será um obstáculo para o crescimento. É uma pressão para inflação mundial, mas não acho que será impeditivo para o crescimento da economia mundial", afirmou.Condições brasileirasPalocci destacou que o ajuste externo do Brasil foi inclusive referência de vários países no exterior, especialmente em relação à mudança qualitativa nas contas externas brasileiras.Ele citou ainda a queda da taxa de risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do País - e o "sucesso" da emissão soberana em reais."Foi um grande sucesso e teve grande procura, mostrando que o Brasil caminha fortemente para uma economia equilibrada no longo prazo. Não há no cenário o que coloque em risco essa estrutura de uma economia forte e equilibrada com tendência de crescimento permanente", disse.

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