Palocci diz que é cedo para falar em novas quedas de juro

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que ainda é cedo para dizer se a queda de 0,25 ponto percentual na taxa de juros - decidida na reunião do Copom da última quarta-feira - significa a retomada do processo de redução sustentada de juros no País. "Talvez ainda seja cedo para dizer (se isso significa a volta do ciclo sustentado de redução). Vamos esperar a ata do Copom na semana que vem", disse em entrevista a jornalistas brasileiros em Londres. "Eu espero que sim, acho que isso é bom para o País, que nós possamos ver eventuais pressões inflacionárias se dissipando e, portanto, possamos retomar uma trajetória de queda de juros." Mas o ministro ressalvou que é possível que a economia brasileira cresça mais do que os 3,6% previstos pelos analistas para este ano, mesmo com o atual nível de juros. "O Brasil já cresceu a índices razoáveis com esse patamar de juros. No ano de 2000 para 2001, o Brasil cresceu 4,4% com um patamar de juros reais maior do que temos hoje. O Brasil tinha juros reais de 10% ao ano e hoje está em 9%. Então com taxas maiores que essa, a economia cresceu 4,4%", disse. Taxas menores Mesmo assim, o ministro insistiu que isso não significa que não vai se buscar reduzir os juros. "O Brasil precisa ao longo dos anos buscar trabalhar, fazer um esforço importante para que as taxas de juros sejam menores", disse. Ele defendeu a decisão do Banco Central de interromper a trajetória de queda das taxas em janeiro e fevereiro, lembrando que no fim de dezembro e no começo de janeiro havia pressão inflacionária. "E era impossível saber quais eram todos os componentes dessa pressão inflacionária. Então, a postura de cautela do Banco Central foi correta", defendeu. "Diante de uma pressão inflacionária, você tem de ter cautela. No mínimo, você deve parar a política de relaxamento." Torcidas O Copom reduziu os juros de 16,50% para 16,25% ao ano, na reunião de quarta-feira. Segundo o ministro, "agora começa a se clarear uma série de coisas, talvez ainda não de forma definitiva". "Vamos olhar a ata do Copom para ver quais são as considerações que o Banco Central levou em conta para retomar uma trajetória de queda de juros, mesmo que num índice pequeno", disse. Entre os itens analisados, segundo o ministro, podem estar a sazonalidade, as pressões de preços de commodities no mercado internacional e o impacto da Cofins sobre os preços relativos. "Certamente o Copom avaliou essas pressões todas e se sentiu menos pressionado pela inflação ao longo desse último período e isso é positivo". Segundo oministro, quando o País entrar em um período em que não houver mais pressão da inflação, os juros vão baixar de maneira mais efetiva, ?atendendo à torcida do Flamengo, à torcida do Corinthians, a todos os economistas, a todos os que buscam o melhor para o País." Emprego Para o ministro, a retomada do crescimento neste ano e as microrreformas que o governo está fazendo - como o projeto de mudança na legislação para a construção civil, os investimentos na área de saneamento - são fundamentais para a geração de empregos. Ele disse que "em poucos meses" já haverá resultados, com aumento do emprego na construção civil e na área de saneamento. Segundo Palocci, o governo praticamente não investiu no ano passado, mas neste ano a previsão é de R$ 12 bilhões em investimentos do setor públicos, além dos recursos do BNDES, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Palocci disse que não vê ameaças à possibilidade de crescimento neste ano se forem mantidos os compromisso com os pilares básicos da economia. "A questão fiscal é essencial para o longo prazo. O Brasil precisa provar que vai conseguir manter a economia equilibrada", disse ele, defendendo a meta de superávit primário de 4,25% do PIB até 2006. Para ele, a manutenção desse superávit é a "garantia de crescimento a longo prazo". Argentina O ministro disse que a posição comum entre Brasil e Argentina de levar em conta o crescimento econômico nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e na fixação das metas de superávit primário é "importante para o fortalecimento da América do Sul". Mas ele não explicou como vai funcionar essa ligação entre o superávit primário e o crescimento e nem quais são exatamente os pontos comuns entre os dois países. "A situação (dos dois) relativamente à dívida e ao desenvolvimento são bem diferentes, mas isso não impede que se tenha políticas comuns", disse, lembrando que Argentina e Brasil têm uma forte relação comercial. "Se o Brasil contribuir para a Argentina crescer, isso é bom para o Brasil, é bom para a região", acrescentou. FMI Palocci disse que espera a aprovação da proposta de exclusão de investimentos no cálculo das despesas para determinar o valor do superávit primário na reunião anual do Fundo em abril. Segundo ele, a idéia é retirar determinados tipos de investimentos que têm retorno, como por exemplo, a construção de uma barragem que terá seu custo pago depois com a geração de energia. Já os investimentos em saneamento, por exemplo, em uma região carente não têm retorno financeiro imediato e, por isso, ficariam mantidos na contabilidade. Ele disse que esse foi um dos temas de sua reunião com o ministro do Tesouro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, nesta quinta-feira. O ministro também voltou a confirmar que o Brasil não deve renovar seu acordo com o FMI, que termina no fim do ano. Segundo ele, a idéia é não usar nem mesmo os recursos disponíveis dentro do acordo com o Fundo.

Agencia Estado,

18 Março 2004 | 13h44

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