Palocci é alvo de protesto da CUT em Brasília

Em protesto por mudanças na política econômica do governo Lula, trabalhadores organizados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) queimaram em frente ao Ministério da Fazenda uma bandeira dos Estados Unidos estilizada com o nome do Fundo Monetário Internacional (FMI). Principal alvo das críticas dos manifestantes, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não estava no prédio na hora da manifestação, mas em reuniões internas no Palácio do Planalto.O protesto reuniu cerca de 100 trabalhadores e fez parte das atividades do "Dia Nacional de Mobilizações e Lutas", promovido hoje pela CUT em todo o País. A central sindical reivindica mudanças na política econômica que assegurem mais empregos, distribuição de renda e aumento real dos salários.A maior crítica foi feita contra a política de juros conduzida pela equipe do ministro Palocci. "Essa política de juros altos impede o crescimento mais acelerado da economia e a geração de empregos", disse o presidente da CUT do Distrito Federal, João Osório. Ele pediu mais "audácia" ao time do ministro da Fazenda para reduzir os juros. "O que se vê é uma política conservadora com visão monetarista", disse Osório. Segundo ele, a redução dos juros está muito lenta. Além de pedir o fim do acordo com o FMI, a CUT quer que o Brasil não integre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A CUT também reivindica a redução da jornada de trabalho (sem redução dos salários), mais investimentos públicos, manutenção e ampliação dos direitos trabalhistas, reforma agrária e aumento real de salários para todos os trabalhadores.A segurança do prédio do Ministério da Fazenda foi reforçada durante a manifestação, que durou cerca de duas horas. Os manifestantes pediram ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O Lula é igual a nós e fala a língua do povo. Ele precisa olhar para nós".Autonomia do BCO presidente da CUT, Luiz Marinho, criticou hoje a intenção do governo de voltar a discutir, depois das eleições deste ano, a concessão de autonomia do Banco Central, conforme manifestou o ministro Palocci, em entrevista publicada hoje pelo Financial Times."Querem dar mais autonomia para o Banco Central? Mais autônomo do que já é? Isso é uma bobagem", afirmou o sindicalista, que participa neste momento de manifestação em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, no "Dia Nacional de Mobilização", realizado hoje pela central em todo o País.Ele afirmou que não existe a menor possibilidade de a reforma trabalhista ser discutida no País antes da conclusão e da consolidação da reforma sindical. "O movimento sindical brasileiro é fragilizado e precisamos consolidar essa reforma (sindical) para fortalecer os trabalhadores e aí sim enfrentar esta angústia dos empresários para flexibilizar as leis trabalhistas", disse o sindicalista, em resposta à entrevista de Palocci ao jornal Financial Times.

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