Palocci e números da economia trazem mais otimismo aos mercados

O dólar comercial encerrou a primeira parte do dia na cotação mínima desta sexta-feira. Às 13h28, a moeda norte-americana é vendida a R$ 2,9970, em queda de 0,60%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 2,58%. O quadro doméstico, pelo menos como conjuntura de curto prazo, continua positivo. Depois dos indicadores recentes mais fortes de produção industrial, vendas no comércio e emprego da Fiesp (São Paulo), hoje foram divulgados novos dados que sinalizam a retomada da economia brasileira.O dado nacional do emprego do IBGE apontou alta no mês de maio em relação a abril. No acumulado do ano, o saldo ainda é de queda. Outro ponto positivo é que a arrecadação do governo em maio e junho superou as expectativas do governo em cerca de R$ 1,4 bilhão. Embora o recorde seja atribuído à Cofins, o crescimento da arrecadação tende a ser favorecido quando a economia está aquecida.A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) divulgou a revisão de expectativas para a balança comercial do ano. A estimativa da instituição é que as exportações vão superar as importações com superávit de US$ 31 bilhões, um aumento de 25% sobre o superávit do ano passado (US$ 24,8 bilhões). A estimativa anterior da AEB, divulgada em janeiro, era de superávit de US$ 23,4 bilhões. Além disso, aumenta o número de analistas que já trabalham com a expectativa de um PIB mais forte, de 4% neste ano.Palocci traz mais otimismoEmbora estes indicadores digam respeito à economia corrente e não garantam o crescimento para os próximos anos, coube ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, em entrevista ao jornal britânico financial Times, a tarefa hoje de sinalizar aos mercados que as reformas e os investimentos poderão continuar sustentando o crescimento nos próximos anos.Entre várias declarações que podem soar como música aos ouvidos do investidor, Palocci disse que o governo apresentará proposta de autonomia do BC em 2005. Destacou ainda que o governo quer reformas trabalhista e sindical após outubro de 2004; a capacidade de crescimento da economia brasileira em 4% neste ano; os importantes anúncios de investimentos nos próximos meses; a negociação com multinacionais de semicondutores sobre construção de uma fábrica no Brasil; os investimentos prometidos para a elevar a capacidade de crescimento do Brasil para 5% nos próximos anos.Para não se dizer que não falou em riscos, o ministro admitiu que ainda há "obstáculos a superar" e citou como exemplo a futura decisão do STF sobre a reforma da previdência, provavelmente referindo-se ao julgamento da cobrança dos inativos, prevista para agosto e que é um dos fatores de preocupação do mercado no campo fiscal.Porém, o teor da entrevista do ministro deixa bem clara a idéia de focar em algumas das principais dúvidas do mercado sobre a capacidade de o País sustentar o crescimento no futuro: a continuidade das reformas (autonomia do BC, mudança trabalhista) e investimentos.

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