Palocci espera crescimento parecido com 2004 neste ano

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse hoje em Londres que "2006 será, com certeza, um ano de forte crescimento". Segundo ele, os recentes indicadores de atividade no Brasil confirmam a previsão do governo de que o ano será muito parecido com o de 2004, quando o País cresceu 4,9%. "As taxas de juros estão em queda, e a recuperação da atividade industrial mostra recuperação a partir de novembro do ano passado". Contudo, Palocci evitou fazer previsões sobre o crescimento da economia brasileira este ano. "Não falo em números, mas estou muito otimista". A projeção do mercado para o PIB de 2006 é de 3,5% de alta. Palocci disse ainda estar seguro que o País está iniciando " um longo ciclo de crescimento".Movimento do mercado No dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) reavalia a Selic, a taxa básica de juros da economia, o ministro não fez comentários sobre o comportamento dos juros. A Selic está em 17,25% ao ano e os investidores esperam um corte de 0,75 ponto porcentual. Por outro lado, Palocci avaliou o comportamento do dólar nos últimos dias, que vem mantendo tendência de alta e, no mês de março, acumula valorização de 1,26% frente ao real.Segundo ele, o mercado externo - principal fator que motiva a alta do dólar nestes dias - não traz "nenhuma preocupação". O fato é que dados sobre a economia dos Estados Unidos divulgados recentemente provocaram uma alta dos juros dos títulos norte-americanos mais longos. Isso provocou uma apreensão dos investidores que, em momentos de incerteza, correm para ativos mais seguros.Palocci observa, entretanto, que, quando o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) anunciou, em 2004, que começaria a elevar as taxas de juros nos Estados Unidos, houve uma piora relevante dos mercados e no risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do país - durante um mês. "Algum deslocamento em ativos importantes, como títulos dos EUA, causam sempre essa piora, mas ela se acomoda em seguida", disse Palocci. "Não vejo com preocupação esses ruídos ontem e anteontem nos mercados."O ministro disse que os indicadores da economia mundial são muito fortes. "Não vejo, no curto, prazo, nada que possa colocá-los em risco." Ele disse não concordar com a tese de que exista hoje uma "bolha emergente", com valorização excessiva dos ativos desses países. "O que os países emergentes estão fazendo hoje não tem a ver apenas com a queda da aversão ao risco do investidor. Esses países estão registrando melhoras estruturais importantes", disse Palocci. "O Brasil é exemplo disso. Não é bolha, é melhora real", afirmou.

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