Palocci mostra hoje a FMI e Bird os avanços da economia brasileira

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, encontra-se hoje com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, e o presidente do Banco Mundial (Bird), James Wolfensohn, em seu terceiro dia de contatos nos Estados Unidos. No que já está virando quase rotina nas viagens da equipe governamental brasileira ao exterior, deverá ouvir elogios à condução da política econômica. Tanto Köhler quanto Wolfensohn fizeram declarações de apoio ao País na última quinta-feira. Ontem, Palocci participou da reunião plenária do Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI que discutiu, entre outros itens, mecanismos de reestruturação da dívida soberana. O governo dos Estados Unidos está sugerindo aos países emergentes que adotem um mecanismo chamado Cláusula de Ação Coletiva (CAC). Por ele, um país que enfrente dificuldades no pagamento de sua dívida externa não precisa mais da concordância de 100% dos credores para repactuar os pagamentos. Segundo essa cláusula, basta a concordância da maioria. O Brasil defende também alterações em uma linha de crédito criada pelo FMI no ano passado para socorrer economias emergentes em dificuldades. Essa linha nunca foi utilizada, apesar de seu baixo custo, porque os países interessados receavam as repercussões negativas de solicitar o empréstimo e tê-lo recusado. ?Seria uma sinalização desastrosa para o País?, comentou o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano Canuto. Por isso, explicou o secretário, alterações vêm sendo analisadas. AnticíclicoO FMI divulgou um estudo chamado Gerenciando Crises Financeiras: Experiência Recente e Lições para a América Latina. O capítulo sobre dinâmica da dívida pública e ajuste fiscal, elaborado pela diretora do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Teresa Ter-Minassian e pelo diretor-assistente, Richard Hemming, analisa os problemas de restrição no gasto público quando um país atravessa uma crise financeira. O estudo diz que a adoção de ?boas políticas fiscais? devem ter como objetivo assegurar que os governos sejam prudentes em seus gastos nos momentos em que o quadro econômico esteja positivo. Dessa forma, fica reduzida a necessidade de adotar medidas pró-cíclicas nos maus momentos. Em outras palavras, se houver austeridade quando a economia estiver bem, a necessidade de aperto nos gastos públicos tende a ser menor durante uma crise. ?Suavizar as respostas da política fiscal é melhor para o crescimento de longo prazo?, afirmam os autores. ProteçãoEles também consideram importante a construção e o fortalecimento de redes de proteção social para ?mitigar os efeitos da recessão e das medidas de ajuste nos grupos vulneráveis?. Os autores observam que não está claro se o aperto nos gastos públicos aprofunda ou não um processo recessivo. No entanto, eles consideram importante criar políticas sociais para proteger a população de baixa renda. Eles recomendam, também, que os países em crise promovam reformas institucionais que ?limitem a vulnerabilidade fiscal e permitam uma resposta de política fiscal mais efetiva no evento de uma crise?. Os governos de países em crise, dizem os autores, também devem dar especial atenção à ?qualidade e durabilidade das medidas de ajuste?.

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