Palocci não confirma queda de juros

O processo de controle inflação está sendo vitorioso, mas não está terminado, afirmou na noite deste domingo o ministro da Fazenda Antônio Palocci, que participou da abertura XIX Congresso Latino Americano de Comércio Exterior - Clace 2003, em São Paulo. Apesar disso, ele não confirmou se o Comitê de Política Monetária (Copom) vai reduzir a Selic, a taxa básica de juros, na reunião de terça e quarta-feiras. ?Não sei se cai agora. Não podemos pensar apenas no Copom de agora, vamos pensar na política econômica como um todo?, argumentou. Ao som do Hino Nacional, Palocci aproveitou a platéia do evento, formada essencialmente por banqueiros, para fazer um apelo para a redução do spread bancário. Segundo ele, todos os componentes do spread bancário estão elevados, seja taxa básica, inadimplência, margem dos bancos e cunha fiscal. No entanto, o ministro acabou condicionando a redução à adoção de medidas pelo próprio governo. ?Temos uma agenda grande em relação a isso, que necessita de medidas legais, judiciais e coordenação econômica para que o spread possa ser mais baixo?, comentou. Palocci acrescentou que, do ponto de vista de política econômica, quando ultrapassar o período de ajuste e o País começar a crescer com a queda de juros, é necessário que todos os agentes do sistema financeiro acompanhem esse movimento e derrubem também o spread bancário.?Reforçamos aqui o apelo do presidente Lula. À medida em que País pode baixar a Selic, é necessário que todo o sistema financeiro coordene a sua atuação para reduzir o spread. Isso tem de ser feito de forma tranqüila, serena.? Quanto à Selic, Palocci justificou a cautela da equipe econômica citando erros do passado. Para ele, a adoção de medidas heterodoxas ou mágicas na economia brasileira no passado não levou a bons resultados. dada pelo fato de que no curto prazo ela tira a renda principalmente das pessoas mais pobres e no médio prazo desorganiza a econonmia levando a perdas para todos. O combate a inflação é uma tarefa prioritária do governo neste momento.?Segundo o ministro, a crise vivida no ano passado teve grandes proporções e elevou tanto o risco Brasil quanto a inflação. ?Mas hoje temos como perspectiva para os próximos 12 meses um pouco acima de 8% de inflação ao ano.? Ele reafirmou que o controle inflacionário é fundamental e que o governo não pode mudar o rumo. Palocci afirmou que o Copom é responsável por estabelecer, dentro da política econômica e das metas de inflação decididas pelo governo, as medidas monetárias para garantir a queda da inflação. ?Como teve o momento de subida dos juros, e o combate à inflação está sendo eficiente, haverá o momento de queda de juros?, ponderou. Segundo ele, o Copom vai decidir o momento de reduzir a taxa, mas de maneira a assegurar que a inflação esteja sobre controle. ?Na minha opinião, o fato de os índices de inflação estarem todos convergindo para as metas é uma excelente notícia para o País.? O ministro acrescentou que apenas com o inflação sob controle é que se pode planejar o crescimento do Brasil. Ele disse ainda que não adotaria nenhuma medida que fosse contrária ao controle inflacionário. ?Porque senão nós pagaremos mais tarde e infelizmente quem paga mais caro é o povo mais pobre.?Palocci negou que o País esteja entrando em recessão. ?Tenho certeza que não?. Ele sustenta apresentando dados do setor de agronegócios, que já cresceu 8,5% neste ano. Outro exemplo, é o das transações correntes. ?Há quatro ou cinco anos tínhamos um déficit em transações correntes de US$ 33 bilhões.? Este déficit, segundo o ministro, vai cair para menos de US$ 4 bilhões este ano. ?É uma evolução extraordinária das nossas contas externas, que se dão pelo fato de as exportações brasileiras estarem tendo tendo um desempenho muito importante e muito bom.?Mas ele admitiu que há problemas na economia. Segundo ele, o País não está em franco crescimento principalmente nos setores que vendem para o mercado interno. Por isso, há necessidade de fazer um esforço para equilibrar as contas de forma a preparar o Brasil para o desenvolvimento de todos os setores, como o agronegócio. ?Esse é o desejo de todos.? Palocci disse ainda que a política econômica deve evitar ao máximo possível restringir a atividade econômica. ?Hoje nós temos um comportamento assimétrico na economia. Alguns setores crescendo muito, outros decrescendo. O desejável é que todos cresçam.?

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