Palocci nega estudo para mudança no crédito direcionado

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, informou hoje que não há nenhuma proposta no governo para mudar os créditos direcionados - dinheiro que os bancos captam e devem direcionar obrigatoriamente para financiamento habitacional, agricultura e repasses do BNDES. Segundo Palocci, eles existem porque há uma decisão econômica de proteger a habitação e a agricultura. "Eles devem permanecer porque têm sido importantes para o desenvolvimento econômico do País. É uma opção que o País fez", afirmou Palocci. Segundo o ministro, as análises que estão sendo feitas sobre créditos direcionados fazem parte dos estudos para compreensão do spread bancário - diferença entre a taxa de captação e os juros cobrados nos empréstimos. A informação de Palocci contradiz a afirmação feita hoje pelo ministro do Planejamento, Guido Mantega. Segundo ele, o governo realmente estuda a possibilidade de reduzir gradativamente a política de crédito direcionado, que consome parte dos depósitos à vista e da poupança para o financiamento rural e habitacional no País. Medidas já adotadas Palocci disse que o que existe é um conjunto de medidas microeconômicas, que estão sendo tomadas, de ajustes no campo da tributação, no campo contratual, e de redução da inadimplência, que, no total, dão resultados positivos para a redução do spread bancário. Ele citou, entre elas, o programa de empréstimo por consignação em folha de pagamento, que teve crescimento de 50% este ano e as medidas para estimular a construção civil, que já proporcionaram aumento de 40% no crédito ao setor. Inflação Palocci destacou também que não há nada mais danoso do que a inflação. "Os juros altos não são bons, mas também não podemos permitir que a inflação volte", disse Palocci. Ele lembrou que a inflação alta penaliza especialmente os mais pobres.

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