Palocci pede "FMI preventivo" em reunião com G-8

O ministro da Fazenda do Brasil, Antonio Palocci, pediu neste sábado ao Grupo dos Oito (G8) uma reforma que torne o Fundo Monetário Internacional (FMI) um órgão mais "preventivo" em relação a crises internacionais e menos "supervisor" dos países emergentes. "Achamos que o atual processo de revisão do FMI continua tímido e que precisa colocar mais ênfase em um sistema menos voltado à supervisão dos países emergentes", disse Palocci em uma reunião feita em Londres com os ministros do G-8, que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia. O ministro da Fazenda defendeu um Fundo "mais orientado para prevenir crises financeiras mundiais e observar os desequilíbrios nas economias mais avançadas". Palocci defendeu esta postura em um café da manhã com os ministros de Economia e Finanças do G-8 realizado no palacete de Lancaster House, onde o Brasil participou como parte do grupo de países emergentes IBSAC, formado também por Índia, África do Sul e China. Além disso, o ministro defendeu "melhorar a representação dos países em desenvolvimento no FMI através de um sistema de cotas" para que essas nações tenham voz própria. Palocci também lamentou que o FMI não tenha um "instrumento cautelar para reduzir as crises dos balanços de contas de capitais, que são, justamente, as que mais afetaram os países emergentes desde meados dos anos 90". Outro assunto abordado por Palocci foi a "necessidade de uma maior abertura comercial dos mercados dos países ricos ao comércio multilateral". Sobre a ajuda aos países em desenvolvimento, assunto que, junto com o perdão da dívida, concentra a reunião do G8, o ministro disse que "deveria ser regular, previsível e ter como meta" o cumprimento das Metas de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, que têm por objetivo reduzir a pobreza extrema no mundo até 2015. Dessa forma, os países mais pobres poderão "planejar seus investimentos em educação, saúde e infra-estrutrura", ressaltou. Neste sentido, Palocci mencionou as "idéias inovadoras" de países como o próprio Brasil, a França, a Espanha, o Chile, a Alemanha e o Reino Unido na "mobilização de recursos adicionais para financiar o desenvolvimento sustentável dos países de baixa renda". Nesta mesma reunião, os ministros do G-8 chegaram a um acordo para perdoar a dívida multilateral dos países, de acordo com o anúncio do ministro britânico da Economia, Gordon Brown, divulgado pela BBC. Sobre os escândalos de corrupção envolvendo o governo, Palocci garantiu aos mercados internacionais que "as dificuldades políticas serão superadas e que são comuns a todas as democracias". "Vamos finalizar - prometeu - uma série de reformas internas para melhorar o funcionamento de nossa economia, aumentar nossa produtividade e reduzir ainda mais nossos pontos fracos". Em declarações à imprensa concedidas depois do café da manhã, Palocci foi perguntado sobre as recentes críticas do Banco Mundial ao Brasil em relação à corrupção e respondeu que falou sobre essa questão em Londres com o novo presidente da entidade, Paul Wolfowitz. "Convidei o senhor Wolfowitz para visitar Brasil e ele fará isso no segundo semestre deste ano", disse o ministro, afirmando que "o Banco Mundial é um parceiro importante" para seu país. Palocci disse que falará com Wolfowitz sobre assuntos como "os empréstimos do Banco Mundial" e "a participação do presidente Lula na busca de fontes de financiamento" para alcançar as Metas do Milênio da ONU. Após assistir à reunião dos ministros do G8 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia), que começou na sexta-feira e termina hoje, o ministro irá à Argentina. Em Buenos Aires, Palocci se reunirá na segunda-feira com os ministros da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, e da Venezuela, Nelson Merentes.

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