Palocci promete concluir em 15 dias propostas do IRPF/2005

O Ministério da Fazenda deve apresentar, dentro de 15 dias, uma primeira cesta de propostas do que fazer com o Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) em 2005. O objetivo é concluir a negociação com sindicalistas e líderes aliados do Congresso até setembro, a tempo de preparar o projeto orçamentário do próximo ano já prevendo o impacto das mudanças na receita do IR. Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, comprometeu-se a entregar, nesse prazo, uma minuta do novo desenho do IR para 2005."Queremos definir isso logo, antes da votação do Orçamento", disse Marinho. O governo trabalha com o objetivo de manter a arrecadação do IR "nos níveis atuais", de 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB), e por isso está dando prioridade à mudança na sistemática de deduções de quem usa o formulário completo na declaração de renda anual - uma alteração que não só não gera perdas, como inclusive pode render uma ganho de R$ 2 bilhões à Receita Federal. A medida em estudo - a limitação das deduções a 20% das despesas com saúde e educação - conta com o apoio de vários sindicali stas e de líderes petistas do Congresso, porque beneficia os trabalhadores com renda entre R$ 1.058 e R$ 2.115 mensais, que hoje têm um desconto no IR equivalente a no máximo 15% das despesas dedutíveis. Na outra ponta, perde a maioria das pessoas que us am o formulário completo, em geral ganhando mais de R$ 2.115 mensais (a média em 2001 era de R$ 3 mil).Com a uniformização de todos as deduções em uma parcela de 20%, as simulações indicam que o ganho pode chegar a R$ 2,7 bilhões, mas o governo ainda discute se adotará a medida apenas para as despesas de saúde e educação - hoje as únicas classificadas pela Receita como "benefício fiscal". Com esse ganho de arrecadação, o governo poderia arriscar uma mudança mais ousada na tabela, mas aí começam as divergências com os sindicalistas e líderes petistas. Uma das mudanças prováveis é a criação de uma alíquota inicial mais baixa do que os atuais 15% - um porcentual entre 5% e 10%. Para compensar essa redução do imposto na faixa salarial mais baixa, existem duas diferentes alternativas: ou criar uma alíquota de 30% para parcelas acima de R$ 4 mil ou de 35% acima de R$ 10 mil. A Receita prefere o primeiro caminho, que atinge um universo maior de pessoas, enquanto os sindicalistas são mais simpáticos à segunda alternativa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.