Palocci promete recursos para combater aftosa, diz Chinaglia

O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), informou hoje que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, prometeu garantir os recursos necessários para o combate do foco de febre aftosa constatado no Estado de Mato Grosso do Sul.O ministro da Fazenda, em encontro concluído na tarde desta segunda-feira com parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara, discutiu o problema, que pode causar sérios prejuízos às exportações brasileiras de carne bovina. O Brasil tem hoje o maior rebanho bovino comercial do mundo.O presidente da Comissão de Agricultura, deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), relatou que foi definido na reunião um programa de ação emergencial para combater o foco de aftosa em Mato Grosso do Sul. Esse programa prevê contratação de veterinários para a realização de uma operação-cinturão na região do foco, a fim de evitar sua expansão; o controle animal nas barreiras existentes nas divisas e fronteiras; e o envio de missão brasileira à Organização Internacional de Epizootias, em Paris, para trabalhar no sentido de evitar que o foco resulte em algum tipo de embargo internacional às exportações brasileiras de carne.ExportaçõesO surgimento do foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul vai prejudicar as exportações de carne bovina do País, na avaliação da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Até então, a entidade estimava um crescimento de 28% nas vendas de carne "in natura" este ano, para o valor de US$ 2,5 bilhões, ante US$ 1,962 bilhão em 2004. "Infelizmente, algum reflexo negativo vai ter, que não se pode quantificar agora", disse o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.Um problema adicional é que o foco pode atrapalhar outra pretensão brasileira, que vinha sendo negociada: a entrada no mercado americano de carne não industrializada. Castro argumenta que as negociações estavam avançadas e que havia a expectativa de liberar o mercado americano para o produto.Trânsito de animais Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Gabriel Maciel, detalha a ocorrência de um foco de febre aftosa no município de Eldorado, Mato Grosso SulO trânsito de animais de cinco municípios do Mato Grosso do Sul está proibido até que uma análise técnica mostre se há risco ou não de os animais estarem contaminados com febre aftosa. Esses municípios são: Eldorado, Itaquiraí, Iguatemi, Japorã e Mundo Novo. Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Alves Maciel, a interdição será mantida até que o governo comprove que não há risco de outros focos febre aftosa nesses municípios. A interdição considera um raio de 25 quilômetros a partir do foco.De acordo com Maciel, há na região interditada três frigoríficos. Durante o período de interdição não podem entrar nem sair destes municípios animais suscetíveis à febre aftosa, como bovinos e suínos, por exemplo. Ele espera que o registro de um foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul sensibilize a área econômica do governo para a necessidade de liberação de recursos para a defesa sanitária. Ele disse que é cedo para avaliar os impactos econômicos do registro do foco, ou seja a possibilidade de os países que compram carne no Brasil virem a suspender as importações.Paraná fecha fronteiraEm decisão isolada, o governo do Paraná decidiu pelo fechamento das fronteiras com o Estado do Mato Grosso do Sul. "O Estado do Paraná está em alerta máximo", disse o secretário de Agricultura em exercício, Nilson Pohl Ribas. Ao mesmo tempo, foi reforçada a fiscalização em uma propriedade que José Vezzozzo possui em Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná.Vezzozzo é o arrendatário da propriedade que apresentou o foco de aftosa em Mato Grosso do Sul. Segundo o secretário, o Paraná teve, em maio, 98,8% do rebanho vacinado espontaneamente na campanha. O restante também o foi por ações mais efetivas com presença dos fiscais nas propriedades. Mas, como a propriedade infectada no Mato Grosso do Sul, fica a cerca de 30 quilômetros do Estado, o fechamento da fronteira foi necessário. A nova etapa de vacinação será em novembro. Ribas disse estar de acordo com a decisão de Santa Catarina, que fechou a fronteira com o Paraná. O estado vizinho foi declarado livre de aftosa sem vacinação.ReuniõesDe acordo com Alves Maciel, o Ministério da Agricultura deve fazer amanhã uma reunião com os secretários de Estado e organismos de defesa dos Estados que fazem divisa com o Mato Grosso do Sul. Nesse encontro deve ser discutida a possibilidade de o comércio entre os Estados e o MS ser interrompido. Serão convidados representantes do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. O secretário contou que na quarta-feira ele fará uma visita à região de Eldorado, onde foi registrado um foco de febre aftosa.

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