Coluna

Fabrizio Gueratto: como o investidor pode recuperar suas perdas no IRB Brasil

Palocci quer garantir crescimento por pelo menos 10 anos

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, apesar de ter sido muito pressionado por jornalistas para revelar o resultado do PIB no primeiro trimestre, se limitou a dizer que estava otimista com o desempenho da economia do País no período, e chegou a dizer que o Brasil está criando condições para ter um longo crescimento. "Temos de garantir que o Brasil cresça nos próximos 10 anos". Pouco antes do ministro Antonio Palocci falar com a imprensa, houve um café da manhã entre o ministro Guido Mantega e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 18 empresários da China, onde Mantega também disse que o crescimento do PIB, a ser anunciado hoje, seria maior do que o mercado esperava.Palocci disse ainda: "Estamos otimistas com os números que virão, não somente hoje, mas nos próximos meses pois os indicadores de crescimento são fortes. Tivemos um aumento da produtividade industrial 5,8% no trimestre, estamos vendo reagirem os números de emprego e números de vendas no comércio varejista. No passado, fizemos o ajuste para equilibrar a economia e esse ano é o primeiro de uma nova etapa de crescimento. Estamos vivendo agora já o quarto trimestre de retomada de crescimento, embora isso nem sempre seja visível. Vamos confirmar, quem sabe superar, os índices previstos".E complementou: "Mais importante para o Brasil nesse ano não é saber se vai crescer 3,5% ou 4%, mas sim o que fazemos para garantir que nos próximos anos cresçamos com taxas ainda maiores. Aí está a importância da questão regulatória, parcerias público-privadas, da lei de recuperação das empresas que está hoje no Congresso. Consolidando essa agenda e os investimentos vamos ter em 2004 o primeiro ano de uma nova era de grande crescimento para o Brasil", afirmou ao falar sobre o PIB que o IBGE vai revelar por volta das 9h30."Eu não acho que o meu papel seja o de comemorar números, até porque na verdade pode-se ter uma evolução de crescimento econômico nesse próximo período que não é linear. Haverá momentos de maior crescimento, momentos de menor crescimento, o fundamental que a gente garanta uma trajetória de crescimento econômico sustentável para o Brasil". afirmou"Não vamos mais olhar agora os problemas de retomada de crescimento, esse problema não temos mais. Não mais os problemas macroeconômicos, esses problemas também não são mais importantes, não mais as taxas de juros, que geram tanta emoção no debate brasileiro, isso também não é mais um problema central. O importante, nesse momento, são as medidas que temos de tomar, agora, para amanhã não sermos surpreendidos com a falta delas", enfatizou.O ministro da Fazenda explicou que não tem dúvidas, desde o ano passado, sobre a retomada do crescimento. ?Mas não posso obrigar as pessoas a acreditarem na palavra do governo. Estamos crescendo desde o segundo semestre do ano passado, agora, nesse trimestre (primeiro trimestre), eu acho que se consolida, e no segundo trimestre de 2004 continuaremos crescendo". CombustíveisPerguntado se o reajuste do combustível e a alta do dólar afetariam o desempenho do segundo trimestre, ele afirmou acreditar que as variações do mercado são efeitos ainda das indicações de mudanças de política monetária, de preços de petróleo, ?que não são fenômenos definitivos". Palocci salientou que "fundamentalmente, nesse momento, o Brasil está crescendo, a atividade está crescendo, as vendas estão crescendo, a massa salarial está crescendo, geração de emprego está crescendo. É preciso consolidar os esforços do País para consolidar nossa agenda de crescimento, 2004 não deve nos contentar como um ano de crescimento, temos de garantir que o Brasil cresça nos próximos 10 anos. Esse é o desafio do Brasil. Crescer dois anos, crescer dois anos e meio, o Brasil fez muito isso nos últimos 15 anos?.O ministro disse que é preciso ?aumentar o PIB ano a ano?, sem pressa, e também sem atropelar o processo econômico. ?Temos de garantir as reformas macroeconômicas, para garantir que o potencial de crescimento aumente e possamos crescer com inflação sob controle. Esse é o desafio maior do Brasil".Palocci explicou ainda que o País já fez boa parte da agenda de crescimento. ?Agora é crescer?, disse. Segundo ele o difícil é saber potencial de crescimento, mas o Brasil precisa garantir controle da inflação, tomar todas as medidas para que a economia cresça o que tiver condições e estrutura para crescer. ?O importante é perguntar o que podemos fazer? Lei de falências, PPPs, a lei relativa à concorrência do sistema financeiro, pacote da construção civil e outras que modificarão a estrutura econômica do País".Juros dos EUAPalocci afirmou ainda que a alta da taxa de juros nos Estados Unidos não terá impacto no Brasil pois o crescimento da economia americana vai ser muito importante para a balança comercial brasileira. ?O Brasil mudou nos últimos anos, quando adotou um câmbio flutuante e quando operou no ano passado um ajuste externo adequado. No ano passado, consolidamos isso, o Brasil fez um equilíbrio de contas externas que me parece definitivo. O Brasil precisa consolidar seu potencial de exportação para que tenha contas externas equilibradas, e isso nos dá sustentação para enfrentar dificuldades, chuvas e trovoadas, principalmente nos dá sustentação para garantir o nosso crescimento interno".Sem revisão de meta de inflaçãoO ministro Antonio Palocci explicou também ao ser perguntado sobre metas de inflação: "Não vamos rever a meta de inflação para este ano, o ano está em andamento e a meta está andando também em direção àquilo que nós prevíamos. Em maio do ano passado tínhamos inflação de 17%. Neste ano, olhando os últimos meses, estamos em 5,26%, isso é uma conquista extraordinária do País".Ele disse também que o aumento do petróleo é um problema para as economias de todo o mundo, não só a brasileira, já que não se sabe como vai ser o comportamento do petróleo nesse período. ?Não acho que estamos vivendo uma crise similar à da década de 70, é mais uma mudança de preços em função da oferta e demanda, nesse período, eu estou bastante otimista, porque todos os problemas que estão vindo de fora para o Brasil são problemas do crescimento econômico?. Palocci lembrou que na China se fala em ordenar o crescimento, pois o país está crescendo muito. ?Já nos Estados Unidos, querem ajustar a política monetária, porque a economia está crescendo. Seria bom se sempre tivéssemos problemas de crescimento. No Brasil vamos ter logo, problemas do crescimento e aí vamos discutir com mais tranqüilidade?, explicou. Segundo ele, o governo deveria focar quais são os problemas do crescimento econômico, e estruturar os marcos regulatórios do Brasil, o setor energético e demais setores, para que os investimentos venham, se consolidem e os contratos sejam feitos. O ministro aproveitou para elogiar a reestruturação que está sendo feita pela ministra Dilma Rousseff.E salientou: "Não tenho a capacidade de prever os preços internacionais de petróleo, mas acho que não temos uma crise estrutural de petróleo como tivemos no passado. Além disso, o mundo, inclusive o Brasil, desenvolveu potenciais de matriz energética muito mais amplas do que na crise de 70. Por isso, de fato, estou otimista",Geração de empregosPalocci disse que "a geração de vagas de trabalho no País tem sido crescente e também tem batido recordes. Ao mesmo tempo, há também um aumento do numero das pessoas procurando emprego. Como a taxa de desemprego é medida pelo número de pessoas que procuram emprego, há um aumento da taxa". Segundo o ministro, o Brasil esta modificando geograficamente seu processo de geração de vagas. ?Há crescimento muito grande na geração de emprego no interior, e menor nos grandes centros. Fenômenos desse tipo explicam a aparente contradição das taxas?, disse.Ele explicou que, nos últimos anos, se reduziu o processo de migração que havia do interior para as capitais. Para ele, isso é saudável pois as regiões do interior passam a ter desenvolvimento até maior do que as capitais. ?A capital brasileira do agronegócio é Ribeirão Preto, o que mostra que o Brasil mudou na sua estrutura de desenvolvimento geográfico, Isso é positivo, vários estados conseguindo taxas de crescimento importante?, afirmou o ministro da Fazenda.

Agencia Estado,

27 de maio de 2004 | 08h58

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