Pan deve receber mais R$ 1,5 bi de sócios

Investimento no antigo Panamericano é necessário para cumprir regra da Bolsa e garantir que 25% das ações estejam disponíveis no mercado

MURILO RODRIGUES ALVES , FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2014 | 02h03

Os acionistas do banco Pan (antigo Panamericano) devem decidir hoje por mais um aumento de capital na instituição no valor total de R$ 1,5 bilhão. Os recursos ajudariam a enquadrar a instituição nas normas da Bolsa e tornar o banco, que ainda está no vermelho, rentável. A Caixa, por meio do braço de investimentos CaixaPar, e o BTG Pactual devem desembolsar, no mínimo, R$ 600 milhões na operação cada um. É o correspondente à participação de 40% de cada no negócio, após a mais recente capitalização, feita em agosto.

O Estado apurou que o BTG queria comprar todas as ações e desembolsar sozinho R$ 1,5 bilhão, mas a Caixa avisou que vai exercer seu direito de preferência e tem interesse nas ações que sobrarem, caso os minoritários não as comprem.

Isso porque, segundo fonte a par das negociações, o reembolso dessas ações é muito vantajoso. Este será o segundo aporte de recursos no banco em 2013. A instituição, que pertencia ao apresentador Silvio Santos, foi vendida após a descoberta, no fim de 2010, de um rombo contábil de R$ 4,3 bilhões.

Só a aquisição do banco custou R$ 758 milhões à Caixa. Com essa nova injeção, os dois sócios majoritários terão investido mais do que o valor do rombo descoberto pelo Banco Central na instituição, em 2010.

Dessa vez, a injeção financeira no Pan deve ocorrer por meio da criação de uma nova classe de ações preferenciais resgatáveis. Pela proposta da administração do banco aos acionistas, a qual o Estado teve acesso, as ações serão resgatáveis em cinco anos e terão direito a dividendos fixos, cumulativos, anuais e prioritários equivalentes a 104% da variação das taxas médias diárias dos Depósitos Interfinanceiros (DI). Se as condições da proposta forem aprovadas pelos acionistas hoje, a subscrição se dará em até um mês.

Esse novo aporte também serve para enquadrar o banco na regra de governança corporativa da BM&FBovespa, que prevê que as companhias listadas tenham pelo menos 25% de ações em circulação. Essa regra deixou de ser cumprida porque Caixa e BTG tiveram de comprar mais ações do que o previsto na capitalização de agosto por causa da falta de interesse dos minoritários.

Aportes. O banco tem até 27 de fevereiro de 2015 para recompor o porcentual mínimo de 25% de ações em circulação. A Caixa já aportou R$ 1,6 bilhão na instituição desde que a adquiriu. Em janeiro de 2012, desembolsou R$ 658 milhões para subscrição de novas ações. Neste ano, além dos R$ 600 milhões das ações, a Caixa gastou R$ 325 milhões para aquisição de uma seguradora e de uma corretora do Pan. O controle das empresas, que era indireto, passou a ser direto com o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O Pan ainda luta para sair do vermelho: o prejuízo da instituição foi de R$ 229 milhões em 2013. Procurado, o presidente do Pan, José Luiz Acar Pedro, disse ao Estado que é preciso acompanhar o que será deliberado na assembleia de hoje. A Caixa não quis se pronunciar. O BTG não retornou o contato da reportagem.

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