Panamericano recebe aporte de R$ 1,8 bi e compra a Brazilian Finance

Quase um ano depois de vendido para o banqueiro André Esteves, o Panamericano deixa de ser apenas o banquinho dedicado ao financiamento de carros usados para classe baixa do tempo de Silvio Santos. O BTG Pactual de Esteves anunciou ontem um aumento de capital de R$ 1,8 bilhão no Panamericano. A maior parte do dinheiro será usada na compra da Brazilian Finance & Real Estate, companhia de investimentos imobiliários.

DAVID FRIEDLANDER, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h03

A maior parte do aumento de capital será bancada pelo BTG e pela Caixa Econômica Federal, os dois controladores do Panamericano. O banco estava precisando dessa injeção de recursos, já que seu índice de Basileia está em 11,9%, pouco acima do mínimo de 11% exigido pelo Banco Central. Com o aporte, o patrimônio da instituição passará de R$ 1,2 bilhão para R$ 3 bilhões.

Dos recursos que entrarão no banco, R$ 940 milhões serão usados na compra da Brazilian Finance (BFRE), oitava maior operação do País na área de crédito imobiliário, que tem entre seus sócios o investidor americano Sam Zell. Uma outra área da BFRE, especializada na gestão de recursos de terceiros, foi comprada diretamente pelo BTG, por R$ 275 milhões.

"Com essa operação, a gente sobe vários degraus, passa a ter um outro patamar", afirmou José Luiz Acar, presidente do Panamericano.

Acar assumiu a instituição em fevereiro, depois que o Panamericano quase faliu em meio a uma fraude contábil de R$ 4,3 bilhões. O então banco de Silvio Santos foi socorrido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e então vendido ao BTG para não quebrar.

Estratégia. Desde então, o executivo aumentou a participação de carros novos na carteira de financiamento de veículos, passou a investir em seguros e no financiamento para empresas de porte médio, e agora entra no mercado de crédito imobiliário.

Um dos planos do BTG é reinventar o Panamericano, muito machucado pelos escândalos do ano passado, e colocá-lo no mesmo patamar de bancos médios e refinados como o Safra ou o Votorantim. Dentro dessa estratégia, a aposta no mercado imobiliário é considerada essencial.

Não apenas para gerar novos negócios, já que o banco acredita que, muito concentrado na Caixa Econômica Federal, essa área em algum momento irá crescer entre os bancos privados. Mas também como porta de entrada para a clientela um pouco mais sofisticada das classes média e alta.

A BRFE é uma holding de empresas que atuam na concessão de financiamento imobiliário para pessoas físicas, financiamentos para incorporadores e construtoras e na securitização de recebíveis imobiliários. Uma de suas empresas, a BM Sua Casa, tem 88 lojas.

A companhia pertencia ao fundo TPG Axon, à Ourinvest e à Equity International. Fábio Nogueira e Moise Politi, fundadores e diretores da BRFE, continuam na operação. "A empolgação é grande, estamos só no começo", afirmou ontem Nogueira. "Criamos esta empresa com R$ 2 milhões e ela chega agora a um patrimônio de R$ 800 milhões".

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