Panasonic abre 'escritório olímpico' no Rio e planeja dobrar receita no País

Reinvenção. Com meta de atingir US$ 100 bilhões em vendas globais até 2018, empresa japonesa se estrutura para expandir negócios corporativos no mercado brasileiro; ideia é aproveitar apelo dos Jogos Olímpicos de 2016, evento que patrocina desde 1988

MARIANA DURÃO / RIO , O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h04

O Brasil ganhará mais espaço nos negócios da Panasonic com a Olimpíada 2016. A companhia japonesa inaugurou ontem um escritório no Rio de Janeiro, onde concentrará os projetos para os Jogos Olímpicos. Em linha com a estratégia global do grupo, o foco será a venda de produtos e soluções para outras empresas, o chamado mercado 'business-to-business' ou B2B.

O País também será a base para desenvolver esse mercado na América Latina, onde já responde por 50% da vendas. O plano é dobrar o faturamento da subsidiária brasileira em cinco anos. A meta da Panasonic é atingir vendas globais de US$ 100 bilhões em 2018, um crescimento de 30% em ao do último ano.

Boa parte desse crescimento virá dos contratos fechados com outras empresas. A estimativa da Panasonic é de que a área automotiva (rádios e baterias) avance 82% nesse período. Utensílios domésticos e soluções corporativas (sistemas de segurança) devem crescer, respectivamente, 54% e 39%. Já o segmento de eletroeletrônicos de consumo, como TVs e máquinas de lavar, crescerão em ritmo menor: 11%, atingindo vendas de US$ 20 bilhões.

O reposicionamento da marca Panasonic mostrou resultados no balanço do ano fiscal que se encerrou em março. A empresa superou em 13% a meta de lucro operacional, que somou 305,1 bilhões de ienes (R$ 6,7 bilhões). O desafio é descolar sua imagem de produtos de consumo como as TVs, que têm gerado margens cada vez mais apertadas e obrigado marcas como Sony, Philips e a própria Panasonic a se reinventarem.

"O escritório no Rio tem a finalidade de ampliar esse direcionamento para o B2B, que pode ser impulsionado pelas Olimpíadas 2016", diz o presidente do conselho de administração global da Panasonic, Shusaku Nagae. A marca é patrocinadora oficial dos jogos desde 1988.

Nagae veio ao Brasil inaugurar o escritório carioca e para fechar um contrato de patrocínio nos próximos quatro anos com o estádio Arena da Baixada, em Curitiba (PR), um dos palcos da Copa de 2014. A Panasonic fornecerá telões e câmeras de segurança para a Arena da Baixada e a para a Arena Pantanal, em Cuiabá (MT). O plano é equipar ginásios olímpicos com aparelhos de áudio e vídeo.

Mesmo com foco no segmento corporativo, a marca ampliou em fevereiro seu portfólio no Brasil, passando a produzir máquinas de lavar na fábrica de Extrema (MG). O grupo espera um incremento nos resultados do Brasil em 2014, com alta de 30% nas vendas de TVs por causa da Copa.

Sem detalhar o quanto a Rio 2016 movimentará em negócios para o grupo, a Panasonic vê o evento como uma oportunidade de consolidar sua marca no Brasil e desenvolver parcerias. Se tudo der certo, o "escritório olímpico" será mantido para tocar as operações B2B fechadas a partir dele.

Marketing. A julgar pelos garotos-propaganda no Brasil os planos são sérios: a marca conta com a apresentadora Fernanda Lima na linha branca e com o jogador Neymar. O atacante da seleção brasileira tem contrato de publicidade global, que inclui propagandas para produtos e soluções B2B em 193 países.

A Panasonic não abre números regionais, mas o presidente na América Latina, Yorihisa Shiokawa, diz que as vendas no Brasil estão aquém do potencial. A expectativa é que o País ganhe espaço servindo de base para a venda de soluções B2B e exportação da linha branca na América Latina.

A japonesa enfrenta dificuldades com o ambiente político e econômico conturbado na Argentina e na Venezuela, onde há obstáculos para obter licenças de importação e assegurar pagamentos. Isso reforça ainda mais a intenção da Panasonic de investir no Brasil.

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