'Pancada' no juro ataca inflação mas afeta PIB, diz Bernardo

O aumento mais forte da taxa dejuro pode ser uma estratégia do Banco Central para encurtar oprocesso de aperto monetário, mas comprometerá o ritmo decrescimento da economia em 2009, avaliou nesta quinta-feira oministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo. "(O BC) deve ter avaliado que uma pancada mais forte podeencurtar o tempo de luta contra a inflação", afirmou o ministrodurante evento no Rio de Janeiro. "Mas essa política (de juro) vai afetar o crescimento doano que vem." Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom)elevou a taxa básica de juro em 0,75 ponto percentual, para13,0 por cento ao ano, surpreendendo parte do mercado queaguardava uma alta mais branda. Nas reuniões de abril e junho, o Copom elevou a Selic em0,50 ponto, dando início à operação para colocar os preços devolta à trajetória das metas definidas pelo governo. No início do mês, o presidente do BC, Henrique Meirelles,afirmou que faria de tudo para trazer a inflação de volta aocentro da meta já em 2009. "A reunião do Copom ontem deu sinal claro de que o governo,principalmente o Banco Central, não está para brincadeira com ainflação", acrescentou Bernardo. A meta de inflação perseguida pelo BC em 2008, 2009 e 2010é de 4,5 por cento, com margem de variação de dois pontospercentuais para cima ou para baixo. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços aoConsumidor Amplo (IPCA) --que baliza a política de metas--acumulou nos últimos 12 meses até junho alta de 6,06 por cento,e analistas já apostam que o índice acumulará no ano um avançode 6,53 por cento, superando o teto da meta pela primeira vezdesde 2003. CRESCIMENTO MENOR Apesar de se mostrar favorável à postura mais agressiva doBC contra a inflação, o ministro do Planejamento reconheceu queo aperto monetária terá efeito negativo sobre a taxa decrescimento do país no próximo ano. Em 2008, Bernardo disse que a economia brasileira podecrescer a uma taxa superior a 5 por cento, mas a expansão de2009 será freada pela política do BC. Bernardo afirmou que o ritmo de expansão do primeirotrimestre --de 5,8 por cento-- foi "muito forte" e que pode teracelerado no período de abril a junho. "Tudo indica que foi até melhor, podendo ter crescido nafaixa de 6 por cento", disse. "Nossa aposta é que vamos ter um crescimento de 5 porcento, talvez até passe disso em 2008, mas essa política (dejuro) vai afetar o crescimento do ano que vem." Na avaliação do ministro do Planejamento, o aumento da dosedecidido na quarta-feira pelo Copom mostra que o BC atuou comozagueiro de um time de futebol. "O Banco Central é como um zagueiro que sai da área paramatar a jogada, não quer perder a viagem", disse. "Os carasabriram a caixa de ferramentas para matar a jogada e tirar operigo de gol." (Texto de Renato Andrade)

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