Tiago Queiroz/Estadão
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Efeito negativo da pandemia ainda era sentido por 33,5% das empresas na segunda quinzena de agosto

Segundo o IBGE, no setor de construção, 40% das companhias relataram dificuldades por causa da covid-19 e, no comércio, 36%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 12h03
Atualizado 01 de outubro de 2020 | 13h22

RIO - Passados quase seis meses desde o agravamento da crise sanitária no País, uma em cada três empresas brasileiras ainda tinham os negócios prejudicados pela pandemia do novo coronavírus na segunda quinzena de agosto. Os dados são da última divulgação da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, anunciada nesta quinta-feira, 1º, mas que será descontinuada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“No plano de flexibilização (do isolamento social), foram sendo liberadas atividades, como salão de beleza, barbearia, shopping center. Mas com capacidade limitada de funcionamento e de horário. Isso tudo obviamente acaba impactando a percepção das empresas percebendo efeitos negativos ainda da pandemia”, justificou Flávio Magheli, coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas do IBGE.

Das 3,4 milhões de empresas em funcionamento na segunda quinzena de agosto, 33,5% informaram que a pandemia afetava negativamente suas atividades. As empresas do setor de construção tiveram maior incidência de companhias com impactos negativos da covid-19: 40,0%. No comércio, 36,0% das companhias reportaram efeitos negativos; na indústria, 31,8%; e nos serviços, 30,5%.

Magheli lembrou que, na média global, houve melhora ao longo das seis quinzenas que integraram a pesquisa. Em junho, as empresas ainda percebiam um choque de demanda, que afetou mais a receita e, consequentemente, a capacidade de realizar pagamentos de rotina. Com a reabertura gradual da economia, o problema maior passou a ser de oferta, com queixas persistentes sobre a dificuldade de acesso a fornecedores, sobretudo no comércio.

Na segunda quinzena de agosto, quase metade das empresas brasileiras (46,8%) tiveram dificuldade de acesso a fornecedores de insumos, matérias-primas ou mercadorias. No comércio, essa proporção sobe a 66,7%: o comércio varejista teve 72,8% das empresas com problemas de fornecimento, enquanto essa fatia no comércio atacadista foi de 53,6%. Na indústria, 51,8% das companhias apontaram o mesmo problema. Na construção, quatro em cada dez empresas do setor também tiveram dificuldades de acessar fornecedores (40,6%).

Houve demissões em 280 mil companhias, que declararam ter reduzido o quadro de pessoal em relação à quinzena anterior. As vendas ou serviços comercializados diminuíram em 32,9% das empresas, e 31,4% tiveram dificuldade de fabricar produtos ou atender clientes, enquanto 40,3% reportaram problemas para realizar pagamentos de rotina.

Entre as ações adotadas para atenuar os efeitos da pandemia do novo coronavírus nos negócios, 93,1% das empresas em funcionamento declararam ter implementado ações de prevenção e manutenção de medidas extras de higiene; 25,7% mantiveram funcionários em trabalho domiciliar; 20,1% anteciparam férias dos empregados; 28,6% declararam ter alterado o método de entrega de seus produtos ou serviços; e 12,1% lançaram ou passaram a comercializar novos produtos ou serviços.

Entre as companhias em atividade, 23,8% adiaram o pagamento de impostos e 11,0% conseguiram uma linha de crédito emergencial para o pagamento da folha salarial. Na segunda quinzena de agosto, 21,4% das empresas afirmaram que foram apoiadas pela autoridade governamental na adoção de medidas emergenciais contra a pandemia.

Encerramento da pesquisa

Apesar do cenário ainda difícil para as empresas, o encerramento da Pesquisa Pulso Empresas foi anunciado nesta quinta-feira pelo diretor de Pesquisas do IBGE, Eduardo Rios-Neto.

“O instrumento foi bem-sucedido e veio para ficar, se houver alguma demanda. Ou se houver necessidade de retomar, ela (a pesquisa) tem possibilidade de fazer”, declarou.

No entanto, não há planos no órgão de prorrogar ou retomar a pesquisa. Segundo Magheli, o planejamento inicial era fazer apenas seis rodadas, durante seis quinzenas, para obter a fotografia do período com foco no acompanhamento de um conjunto de empresas, especialmente as pequenas, que “o IBGE não costuma investigar nas suas pesquisas mensais”, disse.

“Foi planejada, executada, atingiu seu objetivo, e a decisão foi encerrar. A gente teria que pensar em quais projetos teriam que parar para continuar (com a pesquisa pulso)”, disse Magheli.

O coordenador do IBGE ressaltou ainda que a realização da pesquisa pulso demandou alocação de esforços e recursos para um período excepcional, e argumentou que havia a percepção entre as próprias empresas de que o cenário não vinha se alterando significativamente nas últimas quinzenas.

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