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Pandemia derruba abertura de novos negócios em São Paulo

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o registro semanal de novas empresas em SP caiu 72% após o início da pandemia

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 17h43

RIO - A pandemia do novo coronavírus derrubou tanto a abertura de novos negócios quanto o fechamento dos existentes. Num período de cinco semanas de isolamento social para combate à covid-19, quase oito mil empresas foram abertas no Estado de São Paulo, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

Os resultados significam um tombo de 72% no volume médio semanal de abertura de empresas após o início da pandemia em comparação às mesmas semanas do ano anterior. Ao mesmo tempo, o fechamento de empresas despencou 93% no período investigado, mas o Ipea alerta que o resultado não deve ser interpretado como indicação da redução da mortalidade ou de aumento da taxa de sobrevivência das empresas.

Um dos autores do estudo, Alexandre Samy, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, lembra que o cancelamento de uma empresa envolve custos monetários diretos e pode resultar em responsabilidades pessoais sobre passivos pendentes. “Tem uma série de burocracias que dificultam”, explicou Samy.

O levantamento do Ipea considera o período de 1º de abril a 5 de maio. O estudo não contabilizou as informações das duas primeiras semanas de isolamento social no combate à pandemia, de 18 a 31 de março, porque os dados poderiam estar carregados por decisões de abertura e fechamento de empresas tomadas antes do agravamento da pandemia.

Nas cinco semanas pesquisadas, foram fechadas apenas 555 empresas, enquanto outras 7.779 empresas foram criadas.

“Mesmo diante de um cenário tão desafiador, ainda tem setores com maior resistência”, ressaltou Samy, mencionando os segmentos de gestão empresarial, transporte de carga e varejo de equipamentos de informática.

Nas cinco semanas de pandemia investigadas, o estado de São Paulo ganhou mais 1.282 empresas varejistas, 863 estabelecimentos de serviços de escritório e outros serviços prestados a empresas, 657 estabelecimentos de atividades de atenção à saúde humana, e outras 633 empresas de atividades dos serviços de tecnologia de informação.

Segundo o pesquisador do Ipea, a abertura de empresas durante a pandemia se concentrou em segmentos mais resilientes ao isolamento social. Embora todos os setores tenham registrado um número menor de nascimento de empresas, a queda foi menos acentuada nos segmentos ligados à agricultura, indústria extrativa, informação e comunicação, e saúde humana. Esses setores mais resilientes são adequados ao distanciamento social ou apresentam um caráter de atividade essencial.

No comércio varejista, houve forte queda no ritmo de abertura de novas empresas dos ramos de vestuário, calçados, tecidos, colchoaria, iluminação e eletrodomésticos de linha branca. Por outro lado, aumentou a participação dos varejistas de equipamentos de informática, telefonia e comunicações na geração de novas unidades.

Nas atividades de serviços de escritório, a organização de eventos perdeu participação para serviços de escritório e apoio administrativo. Nos transportes terrestres, o segmento de passageiros apresentou forte queda, enquanto o segmento de cargas cresceu.

Considerando a variação de entradas e saídas de empresas ao longo do período pesquisado, o estoque geral de estabelecimentos ficou relativamente estável. Para Samy, é difícil prever a tendência sobre nascimento e morte de empresas no pós-pandemia.

“O cancelamento deve ficar parado por um tempo. O cenário é complicado, é incerto com relação à demanda, à atividade econômica. É um período difícil, de muita incerteza. Tem ainda impacto do câmbio, tem risco político. As empresas estão com dificuldades, várias não estão pagando fornecedores. O cenário é desafiador, é um cenário sem precedentes. A abertura de empresas vai depender um pouco das respostas de política econômica, se forem acertadas. Depende do cenário de política econômica, do cenário internacional e da própria evolução também da pandemia”, avaliou Samy.

Os dados da pesquisa foram extraídos do diário oficial da Junta Comercial do Estado de São Paulo, que publica semanalmente todas as anotações relativas a alterações de empresas.

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