Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Pandemia derrubou transporte aéreo de passageiros pela metade em 2020

Pesquisa do IBGE também mostra recuo de quase um terço nas cargas sob impacto da covid-19

Marcio Dolzan , O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2021 | 10h00

RIO - O transporte aéreo no Brasil registrou queda de mais da metade de seu fluxo de passageiros e de quase um terço do de cargas no ano passado, primeiro ano da pandemia de covid-19. Com a queda no desempenho, 15 cidades que tiveram voos regulares em 2019 deixaram de tê-los em 2020. Apenas 46 municípios do País tiveram pelo menos um voo regular de passageiros por mês em 2020.

Os números fazem parte da pesquisa Redes e Fluxos Territoriais: Ligações Aéreas 2019-2020, divulgada nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Segundo o estudo, 44 milhões de brasileiros viajaram em voos regulares no ano passado, ante 93,87 milhões que haviam viajado em 2019 - uma queda de 53%. Três aeroportos tiveram grande impacto: Uberlândia viu uma redução de 64%, Curitiba, de 60%, e Campinas, de 33%.

No transporte de cargas, o País registrou queda de 400 mil toneladas em 2019 para 282 mil toneladas no ano passado - menos 29,6%.

Só 3% das cidades tiveram transporte aéreo regular de passageiros

Apesar de ter examinado os impactos provocados pela pandemia em 2020 - evento que mexeu de forma brusca com as estatísticas de diversos segmentos, sobretudo o de transporte aéreo -, o estudo do IBGE analisou a infraestrutura desse meio de transporte no Brasil considerando a última década.

O levantamento mostra que, no período, apenas 157 cidades do País tiveram transporte aéreo regular de passageiros ou de carga como serviço pago. Isso representa somente 3% do universo de 4.899 cidades do País. O número é menor que os 5.570 municípios brasileiros porque considera algumas aglomerações urbanas como se fossem uma única cidade. É o caso de São Paulo, que reúne 37 municípios.

Outro dado que mostra que o transporte aéreo no Brasil é bastante concentrado em poucas cidades é que 99,99% da movimentação aérea acontece nas metrópoles e capitais regionais.

A pesquisa do IBGE mostra ainda que a capital paulista é o grande hub aéreo nacional. Isso vale tanto se for considerado como destino, origem ou ponto intermediário de conexão para passageiros e cargas.

O transporte de cargas também passa fortemente por Brasília, Campinas e Manaus. Somados à capital paulista, as cidades concentraram mais de 85% de toda carga aérea movimentada em 2019.

A análise de dados mostrou ainda que o Brasil apresentou aumento de 37,4% no fluxo de passageiros entre 2010 e 2015, mas queda de 1% entre 2015 e 2019. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.