Rafael Neddrmeyer/Fotos Públicas
Rafael Neddrmeyer/Fotos Públicas

coluna

Fernanda Camargo: O insustentável custo de investir desconhecendo fatores ambientais

Pandemia fechou 331,9 mil vagas de emprego em maio

Esse foi o pior resultado para o mês da série histórica, que tem início em 1992; entre março e maio, número de vagas fechadas chegou a 1,48 milhão

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2020 | 15h20
Atualizado 29 de junho de 2020 | 21h26

BRASÍLIA - A pandemia do novo coronavírus levou ao fechamento de 331.901 vagas com carteira assinada em maio, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta segunda-feira, 29, pelo Ministério da Economia. Desde março – quando foi registrado o primeiro caso da doença no País, e governadores e prefeitos determinaram o isolamento social para tentar conter os índices de contaminação –, foram perdidos 1,487 milhão de postos de trabalho.

Foi o pior resultado para o mês de maio desde o início da pesquisa, em 2010. Em relação a abril (saldo negativo de 902.841 vagas), porém, foi registrado uma desaceleração no número de vagas fechadas.

“Claro que não podemos comemorar nenhum emprego perdido, mas há clara reação do mercado de trabalho e da economia em maio, fruto de reaberturas em alguns setores”, afirmou o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco.

No acumulado do ano, o saldo do Caged foi negativo em 1,144 milhão de vagas, também o pior desempenho da história. “É o maior número da história porque essa é a pior crise da história”, completou o secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo.

O resultado de maio decorre de 703.921 admissões e de 1,035 milhão de demissões. Todos os setores registraram desempenho melhor do que em abril. O fechamento de vagas formais foi puxado pelo setor de serviços, que eliminou 143.479 postos (ante 380.939 em abril) . Em seguida, vem a indústria, com o fechamento de 96.912 vagas (203.506 em abril).

Já o comércio registrou resultado negativo de 88.739 postos (242.746 em abril). Também teve saldo negativo no mês a construção civil, 18.758 vagas (70.048 um mês antes). Apenas o grupo agricultura/pecuária registrou saldo positivo, em 18.758 vagas (5.583 antes).

'Fundo do poço'

“A avaliação preliminar é a de que o fundo do poço foi em abril. Não que maio tenha melhorado, mas é que, entre a decisão de se demitir e a efetivação da demissão, tem uma defasagem de tempo. A gente acha que na medida em que as regras de isolamento forem sendo abertas, se não ocorrer nenhum imprevisto, julho e agosto deverão mostrar resultados ligeiramente positivos no mercado de trabalho”, avalia o economista-chefe da Pezco Eononomics, Hélcio Takeda.

O resultado negativo na criação de empregos é explicado por queda de 48% nas admissões do mês e recuo de 21% nos desligamentos, na comparação com maio de 2019. Em relação a abril, as admissões subiram 14% e os desligamentos recuaram 32%. “O maior problema no momento é a redução de admissões, não os desligamentos. Mas começamos a ver reação nas contratações em maio”, completou Bianco.

Os 26 Estados do País registraram resultado negativo e apenas um, o Acre, teve saldo positivo, de 130 postos. Os piores desempenhos foram em São Paulo (-103.985), Rio de Janeiro (-35.959), Minas Gerais (-33.695 postos) e Rio Grande do Sul (-32.106 postos).

O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada caiu de R$ 1.810,08, em abril, para R$ 1.731,33 em maio./COLABOROU FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.