Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Pandemia pode provocar perdas de até US$ 9,5 bi nas 50 principais marcas brasileiras

Segundo o levantamento da consultoria inglesa Brand Finance, perdas no mundo podem chegar a US$ 1 trilhão, considerando 500 empresas

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2020 | 12h19

As 50 marcas brasileiras mais valiosas podem perder até 16% em valor, equivalente a um tombo de quase US$ 9,5 bilhões em valor acumulado, devido aos estragos devastadores da pandemia de covid-19, segundo a consultoria inglesa Brand Finance. No mundo, a perda provocada pelo coronavírus pode chegar a US$ 1 trilhão, considerando um grupo de 500 nomes. 

Para mensurar o efeito da pandemia para as marcas, a consultoria inglesa avaliou o atual valor de mercado das empresas em relação ao apresentado no início de janeiro de 2020. Com base no impacto registrado no período, a Brand Finance estimou o provável reflexo no valor da marca para cada setor.  

No Brasil, o Itaú Unibanco permaneceu com o título de marca mais valiosa, com valor de US$ 6,8 bilhões, pelo quarto ano seguido. No segundo lugar, o rival Bradesco diminuiu ainda mais a lacuna existente. Com crescimento de 10%, o valor da marca do banco subiu para US$ 6,7 bilhões.

Ainda no setor bancário, as instituições públicas vêm na sequência. Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil ocupam a terceira e quarta posições no ranking da Brand Finance, com valores de marca de US$ 4,8 bilhões e US$ 4,6 bilhões, respectivamente.

No ranking deste ano, a Caixa desbancou outra estatal: a Petrobrás, que caiu do terceiro para o quinto lugar. O banco público subiu no ranking ao ver seu valor de marca crescer 14,3% em relação ao levantamento de 2019 após capitanear o pagamento do auxílio emergencial a mais de 65 milhões de brasileiros durante a pandemia. Por outro lado, a Petrobrás viu seu valor de mercado encolher 19,9% no ranking atual frente ao do exercício passado.

O setor bancário domina o ranking Brand Finance Brasil de 2020, com os bancos ocupando os quatro primeiros lugares, destaca o diretor gerente da Brand Finance Brasil, Eduardo Chaves, em nota à imprensa. Juntos, respondem por 41% do valor total das marcas, o que totaliza, em suas palavras, um "impressionante" patamar de US$ 24,5 bilhões.

"A jornada à frente, no entanto, não será fácil, pois as marcas bancárias podem perder até 20% de seus valores de marca como resultado da pandemia do coronavírus, já que toda a indústria negocia a alta volatilidade nos mercados de capitais globais", alerta Chaves. "Isso, combinado com os principais ventos contrários econômicos em todo o País, significa que os bancos terão que confiar na força de suas marcas mais do que nunca, se quiserem enfrentar a tempestade com sucesso."

Em termos de crescimento, o destaque do ranking da Brand Finance deste ano foi a Localiza Hertz. A empresa de aluguel de automóveis apresentou um aumento de 62% no valor de sua marca, o maior do ranking, que saltou a US$ 576 milhões. De quebra, avançou nove posições, da 33ª para a 24ª.

De acordo com a Brand Finance, apesar do crescimento da Localiza Hertz, após a parceria estratégica de 2016, as marcas de aluguel de automóveis são moderadamente afetadas pela pandemia. A consultoria inglesa estima que o setor pode perder até 10% dos valores de suas marcas.

No setor de vestuário, a Renner foi considerada a marca mais forte do País. Além de medir o valor geral das empresas, a Brand Finance também avalia a potência relativa, com base em fatores como investimento em marketing, familiaridade com o cliente, satisfação da equipe e reputação corporativa. Conforme esses critérios, a Renner, cujo valor da marca aumentou 18% no período de análise, para US $ 754 milhões, é a marca mais forte do Brasil com uma pontuação de 91,8 em 100 do Índice de Força da Marca (BSI). 

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