Panelaços marcam protesto nacional na Argentina

Depois de 25 dias na Presidência, Eduardo Duhalde enfrentará hoje o primeiro protesto nacional. Convocado por moradores dos bairros de Buenos Aires, auto-organizados pelas esquinas da cidade, e ativistas das mais diversas organizações não-governamentais e governamentais, um grande panelaço contra o "corralito" deve fazer o governo tremer. Durante toda a semana, em vários pontos de Buenos Aires e do interior do país, a população deu mostras do que será o movimento de hoje, marcado para a noite.No governo é grande o temor de que tudo termine em atos de violência, vandalismo e quebradeira, a exemplo do que ocorreu no panelaço que derrubou Fernando de la Rúa e terminou com 28 mortos, ou no que acabou com a invasão do Congresso Nacional e destruição de algumas partes do edifício.O governo dispõe de informações sobre a participação de grupos radicais infiltrados nos movimentos anteriores e que pretendem fazer o mesmo no panelaço de hoje. No relatório da polícia, entregue ao presidente, os investigadores policiais consideram que há infiltração de grupos de extrema direita e outros à serviço de interesses dos adversários políticos de Eduardo Duhalde, como ocorreu com Fernando de la Rúa.Uma alta fonte da Casa Rosada informou à Agência Estado que o relatório do serviço de inteligência e da polícia é preocupante porque as manifestações pacíficas da população, iniciadas no dia 20 de dezembro, quando De la Rúa renunciou, são acompanhadas por estes grupos, "com claros interesses políticos de desestabilizar o governo e por delinqüentes que se aproveitam da situação", afirmou. A fonte completou que também se incluem os desempregados desesperados e famílias famintas, que "são levadas ao desatino provocados pelos infiltrados".O presidente Eduardo Duhalde tem especial preocupação com o sistema de segurança para que não haja "excessos" dos policiais. A quinta-feira foi marcada por panelaços e bloqueios de ruas, avenidas e rodovias. O panelaço de hoje está sendo convocado por uma incrível campanha de boca a boca, correio eletrônico, telefone e até fax.Ontem à noite, em cada bairro houve uma assembléia de moradores, em suas já tradicionais esquinas de pequenos panelaços, para definir os últimos detalhes da "operação em defesa de nossos direitos e da nossa Argentina", como disse uma das líderes do movimento na esquina da rua Corrientes com Medrano, uma das mais movimentadas.O protesto também é contra os juízes da Corte Suprema de Justiça quem decidiu contra a liberação dos depósitos. Os protestos populares têm sido os mais diferentes e criativos. Ontem, por exemplo, uma família inteira acampou dentro de um banco para reclamar o dinheiro depositado. Além de Fernando de la Rúa, os panelaços derrubaram Adolfo Rodríguez Saá com apenas uma semana de governo.Leia o especial

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