Pânico derrubou vendas no comércio em até 90% ontem

O clima de terror que atingiu a capital paulista, após os ataques da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), teve grande impacto nas vendas do comércio na segunda-feira (15), conforme estudo divulgado nesta terça-feira pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Depois do fechamento de vários estabelecimentos, a Associação calculou que o declínio nos negócios atingiu 90%, se comparado o mesmo período do ano passado, um dia após o Dia das Mães.Segundo a ACSP, até as 15 horas de ontem, os indicadores do comércio paulistano indicavam uma queda de 20% nas consultas, tanto ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), que indica as negociações a prazo, quanto ao Usecheque, que indica as vendas à vista. Após esse horário, quando grande parte das empresas dispensou os funcionários para que eles seguissem para seus respectivos domicílios, a queda atingiu os 90%, o que indicou um recuo médio de 50% nas consultas do dia.O presidente ACSP, Guilherme Afif Domingos, previu que o movimento no varejo deverá se normalizar ao longo desta terça-feira, mas não escondeu sua preocupação em relação ao desdobramento dos fatos. Para ele, a maior perda causada ontem não está nos números, está na repercussão na mídia nacional e internacional, o que poderia, segundo Afif, afetar os investimentos no Brasil, com resultados negativos na geração de empregos e renda. "Isso vai aumentar ainda mais a criminalidade num verdadeiro círculo vicioso", alertou. "Ontem, São Paulo era o Iraque. E quem investiria no Iraque hoje?", indagou.Vendas no 1º trimestreAs vendas no comércio varejista apresentaram crescimento na primeira quinzena de maio na capital paulista. De acordo com pesquisa divulgada hoje pela ACSP, as consultas ao SCPC cresceram 0,5% ante o mesmo período de 2005, enquanto as consultas ao Usecheque apresentaram alta bem mais significativa, de 10,6%. Em relação aos primeiros 15 dias abril de 2006, o comportamento das vendas foi menos desigual, com elevações de 5,1% e 5%, respectivamente.No mesmo período, a inadimplência no comércio paulistano apresentou alta de 19,6% na comparação com o 1º trimestre de maio do ano passado. Em relação aos 15 primeiros dias de abril de 2006, houve variação positiva de 0,1%. Na pesquisa de registros cancelados, na qual se verifica quando o consumidor retira seu nome da lista de inadimplentes, foram constatados aumentos de 9,9% e de 5,1%, respectivamente, nos mesmos períodos de comparação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.