Pânico por crise externa faz Bovespa desabar quase 8%

Dólar fecha em alta de 5,37%, vendido a R$ 2,0210, a maior cotação da moeda desde agosto de 2007

Da Redação,

02 Outubro 2008 | 17h19

Incertezas sobre a aprovação da nova versão do pacote de ajuda ao sistema financeiro nos EUA e o temor com um período de recessão nos Estados Unidos e, conseqüentemente, no mundo todo, fizeram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desabar 7,34%. Nos Estados Unidos, o dia também foi de forte queda. O índice Dow Jones recuou 3,22% e a Nasdaq caiu 4,48%; O dólar comercial fechou pela primeira vez acima de R$ 2,00 desde agosto de 2007. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 2,0210, em alta de 5,37%.   Veja também: Pacote só será votado se tiver aprovação certa, diz Pelosi Crise afetará neoliberalismo, dizem analistas Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA A cronologia da crise financeira  Veja como a crise econômica já afetou o Brasil Entenda a crise nos EUA    A aprovação no Senado do plano de ajuda às instituições financeiras norte-americanas não conseguiu restaurar a confiança dos investidores, derrubando as bolsas de valores em todo o mundo. Na Europa, os índices das principais bolsas terminaram em baixa, pressionados pelo aumento no pedido de auxílios-desemprego nos EUA e pela diminuição das encomendas para a indústria.   Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em baixa de 89,30 pontos, ou 1,80%, para 4.870,3 pontos. O índice DAX, na Bolsa de Frankfurt, recuou 145,70 pontos, ou 2,51%, para 5.660,63. Em Paris, o índice CAC-40 teve declínio de 91,26 pontos, ou 2,25%, para 3.963,28 pontos. Os papéis dos setores de mineração, químicos e automóveis foram especialmente prejudicados pelos dados da economia norte-americana, que sugerem contração da economia.   A percepção de que o pacote não vai livrar a economia dos EUA de uma recessão e o receio quanto ao resultado da votação na Câmara, onde o plano foi rejeitado na segunda-feira, mantêm os investidores pessimistas. Segundo um assessor do partido democrata, a nova votação na Câmara terá início às 13h30 de sexta-feira. Contudo, a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, disse que não levará o pacote à votação antes de assegurar os votos necessários para sua aprovação.   Pessimismo   Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiram para 497 mil - maior nível desde 29 de setembro de 2001 -, enquanto as encomendas para a indústria recuaram para o menor valor em dois anos. Após a aprovação do pacote de auxílio ao mercado financeiro pelo Senado norte-americano, na noite de quarta-feira, os investidores mostraram mais cautela.   Na zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros em 4,25%. Contudo, na entrevista coletiva que se segue ao anúncio da decisão de política monetária, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, reconheceu que houve discussões sobre um corte na taxa durante a reunião do conselho.   A suavização da política monetária de curto prazo do BCE impulsionou os bancos europeus. As ações do Fortis avançaram 12%, enquanto as do Allied Irish Banks subiram 8%. ING subiu 2,5%. O banco suíço UBS disse que terá um lucro modesto no terceiro trimestre deste ano em decorrência de um corte substancial nas posições relacionadas a hipotecas. As ações subiram 8,12%.   Nos EUA, a Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM norte-americana) decidiu prorrogar sua medida de emergência temporária que proíbe as operações de vendas a descoberto em ações de companhias financeiras. A medida foi anunciada no final da noite de quarta-feira. A SEC disse que a proibição sobre as vendas a descoberto, que deveria vencer nesta quinta, permanecerá em vigor para dar tempo para o Congresso trabalhar sobre o pacote de socorro para o setor financeiro, mas não irá se estender para além da meia-noite do dia 17 de outubro.

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