Pão de Açúcar investirá menos este ano

Grupo reduz em R$ 500 milhões o orçamento em comparação a 2007

Vera Dantas, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 00h00

O Grupo Pão de Açúcar prevê investir este ano R$ 733 milhões, quase R$ 500 milhões a menos que os gastos do ano passado. A redução do número faz parte do esforço da empresa para melhorar sua rentabilidade. "Vamos deixar a criatividade para 2009 e sacrificar um pouco o futuro para consolidar o presente", resumiu o presidente da companhia, Cláudio Galeazzi, ao apresentar ontem para uma platéia de investidores e analistas as perspectivas para 2008. Para Galeazzi, há cinco meses no comando da empresa, o momento é de reagrupar "tropas para depois dar os tiros".No orçamento deste ano há cortes em todas as despesas, com exceção dos recursos destinados à compra de terrenos, que vão atingir R$ 250 milhões. É mais do que o dobro do ano passado, quando a rede gastou R$ 121 milhões. Entre os cortes anunciados, os investimentos com novas lojas e conversões caíram de R$ 396 milhões em 2007 para R$ 160 milhões este ano. A prioridade será a bandeira Extra Fácil, mais barata, e a rede de atacarejo - mistura de atacado e varejo - Assai.Para o presidente do conselho de administração do grupo, Abilio Diniz, o momento é de buscar eficiência, corrigir erros dos dois últimos anos e ser o melhor. "Não necessariamente o primeiro." A estratégia para avançar em busca de melhores resultados prevê o agrupamento das lojas de acordo com o perfil socioeconômico da região, no mesmo modelo utilizado por Galeazzi na rede Sendas, no Rio. Com base nesses grupos, ou "clusters", a rede adapta o sortimento e os preços dos produtos. O Pão de Açúcar também estuda a criação de um departamento para cuidar dos ativos imobiliários do grupo. Essa área, denominada real state, é estratégica para conseguir o máximo possível de rentabilidade para a área imobiliária, incluindo as galerias comerciais.Para incentivar o alcance das metas, a empresa lançou um programa de bônus agressivo com base no Ebitda (geração de caixa). Para ele ser pago, será necessário um crescimento superior a 20% da geração de caixa medida pelo Ebitda no ano. "Passei um copinho de sangue na boca dos vampiros para que eles persigam a busca por resultados", brincou Galeazzi. A meta da companhia para este ano é faturar mais de R$ 20 bilhões - no ano passado, as vendas do grupo foram de R$ 17,6 bilhões -, ter um crescimento nominal acima de 6,5% e alcançar um crescimento do Ebitda entre 7,5% e 8%, ante 6,9% em 2007.Na semana passada, o Pão de Açúcar informou ter chegado ao fim o processo de reestruturação do grupo. Nesse processo, foram demitidos cerca de 350 funcionários de cargos de gerência e de direção.

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