Pão de Açúcar vai ser também ''''atacado''''

Grupo anunciou parceria para fornecer a pequenos supermercados

Vera Dantas, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2007 | 00h00

Na briga para aumentar a lucratividade da companhia e fazer frente a um baixo crescimento de vendas, o Grupo Pão de Açúcar decidiu ampliar sua estratégia de atuação. A companhia anunciou ontem uma parceria com a central de negócios União Brasil. O acerto pode ser o primeiro passo para a rede entrar no formato atacado. Pelo acordo, o Pão de Açúcar passará a vender, primeiro como projeto-piloto, para 52 lojas de supermercados associadas à Multi Show, central de compras filiada à União Brasil. A maioria das lojas é voltada para as classes C e D, tem faturamento anual em torno de R$ 200 milhões e está distribuída em 35 municípios do Espírito Santo, Estado onde o Pão de Açúcar ainda não tem lojas."Somos agora também uma Central de Negócios Grupo Pão de Açúcar", disse o diretor-executivo da empresa, Ramatis Rodrigues. A Multi Show é apenas uma das centrais da União Brasil. Ela congrega e abastece cerca de 200 lojas de pequeno varejo em cinco Estados brasileiros e fatura R$ 1,6 bilhão por ano.Na primeira etapa da parceria, o Pão de Açúcar vai oferecer 3 mil itens (basicamente de mercearia), que deverão compor cerca de 70% do mix dessas 52 lojas. Aos poucos, a intenção é vender também produtos da área de não-alimentos, importados e serviços como tecnologia e treinamento em varejo. O Pão de Açúcar, no entanto, não considera que esteja assumindo o papel de um atacadista, como a rede Martins. "Não seremos iguais a um atacado porque, além de produtos, podemos repassar toda a experiência do varejo para essas lojas e serviços", disse o diretor-comercial do grupo, Maurício Cerrutti. RECEITACom o projeto, o Pão de Açúcar deve faturar cerca de R$ 3 milhões no primeiro mês e R$ 7 milhões nos meses seguintes, chegando a um faturamento anual de R$ 90 milhões. "É praticamente o faturamento de um hipermercado, mas sem os investimentos inerentes a esse tipo de projeto", disse Cerutti.A intenção é ampliar as parcerias com outras centrais de compras no País. Entre as opções, estão o interior de São Paulo e os Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a Região Nordeste.Para o consultor de varejo Eugênio Foganholo, o investimento do Pão de Açúcar é inovador, mas pode refletir também mais uma tentativa do grupo de responder ao baixo crescimento de vendas em suas lojas. Em setembro, as vendas nas mesmas lojas da rede tiveram crescimento bruto de apenas 1,3% ante igual período em 2006. "Eles ficaram sem o Atacadão (comprado pelo Carrefour) e agora estão buscando alternativas, formas indiretas de avançarem na área de atacado e de se posicionarem melhor frente aos investidores", diz o coordenador do Programa de Administração de Varejo da USP (Provar), Claudio Felisoni. Para um analista de mercado, a parceria pode ser um primeiro passo para a compra de redes menores no futuro. "Mas eles também precisam melhorar a rentabilidade e essas ações mostram um empenho competitivo."

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